O juiz Sérgio Moro, responsável pela condução da chamada Operação Lava Jato, proferiu palestra em um fórum promovido pela Associação Nacional dos Editores de Revista(ANER), na última segunda-feira (23), e declarou estar bem decepcionado com a condução que o #Governo vem fazendo com relação aos casos de #Corrupção que assolam o país. O magistrado, quando perguntado a respeito da operação #Lava Jato, afirmou que a mesma se assemelhava à metáfora de alguém que grita no deserto.

Moro afirmou que o Brasil está mergulhado em um quadro profundo, penetrante e altamente sistêmico do fenômeno da corrupção. Apesar de toda a repercussão que os desdobramentos da operação Lava Jato vem proporcionando durante o processo de investigação em empresas como a Petrobras, o juiz afirma que a postura do governo e do parlamento brasileiro está muito aquém do era o esperado.

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Os resultados apurados pelas várias etapas que a Lava Jato vem realizando mostram como funcionam as engrenagens do processo de corrupção em nosso país. Além disso, esses desdobramentos têm provocado, na população em geral, uma mudança de pensar e de como agir frente aos casos de corrupção no sistema brasileiro. Entretanto, conforme explicou Sérgio Moro, as instituições governamentais e políticas parecem que não despertaram ainda para os efeitos na sociedade, com relação de como agir diante de tantos casos denunciados. A reação do governo ainda não teve o grau de retorno que a sociedade espera para que esse problema seja combatido.

O juiz admitiu que não são os casos investigados por operações, como o caso do mensalão e nem a própria operação Lava Jato, que irão redimir o país desse grave mal.

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Entretanto, partirá principalmente do povo brasileiro a mudança de comportamento em relação à reação adotada frente a esse problema. Moro afirmou ainda que para que a corrupção seja efetivamente combatida , é preciso uma mudança nas próprias instituições. Quando isto ocorrer, certamente, a resolução dos casos e a rapidez das condenações irá contribuir para a erradicação desse problema.

O magistrado afirmou que já existem  propostas elaboradas de combate eficiente à corrupção, entretanto, a análise dessas propostas pelo Congresso emperrou em trâmites burocráticos, como o recolhimento de assinaturas para que se viabilize a análise dessas propostas. Moro cita como uma das medidas defendidas, que considera de natureza bastante eficaz, a prisão, logo em segunda instância, dos réus condenados por crimes de corrupção. Entretanto, o juiz retoma o seu argumento de que para que isso possa ser concretizado é preciso a adoção de algum tipo de ação por parte do governo, que até agora, tem se mostrado bastante omisso em relação a isso.