Após a empreiteira UTC fornecer informações sobre o seu envolvimento em esquemas de corrupção na Petrobras e em doações à campanha eleitoral em troca de favores, chegou a vez da Andrade Gutierrez negociar um acordo de delação premiada, preocupando alguns setores do PT e, se confirmadas as denúncias, também do PSDB.

O dono da UTC, e delator da Operação Lava-Jato, Ricardo Pessoa, depôs ao Juiz Sérgio Moro, no último dia 9 de novembro, e declarou que nem todas as doações feitas durante a campanha eleitoral do ano passado faziam parte do Petrolão, mas que algumas foram feitas a fim de conseguir algumas "vantagens". Sobre a propina, Ricardo Pessoa declarou que o responsável por acertar o esquema era o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O petista, segundo o dono da UTC, também pedia doações a candidatos específicos do partido.

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Além do petista, Ricardo Pessoa confessou que a empreiteira também estava envolvida em um esquema de caixa dois, citando como alguns destinatários o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Outro político citado pelo delator foi o Ministro da Secom e tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff, Edinho Silva. Segundo a delação, Edinho teria chantageado Pessoa para que as maiores contribuições fossem ao PT durante a campanha eleitoral, uma vez que a empreiteira tinha obras na Petrobras e "outros aditivos".

Andrade Gutierrez

Outra empreiteira investigada no esquema do Petrolão é a Andrade Gutierrez. Entre as acusações estão a de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e organização criminosa. Os réus do processo - o presidente afastado Otávio Marques de Azevedo (foto), o executivo Elton Negrão de Azevedo e o ex-funcionário Paulo Roberto Dalmazzo - foram ouvidos pelo Juiz Sérgio Mouro durante uma audiência na manhã desta sexta-feira (13).

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A Andrade Gutierrez, junto com a Odebrecht, formava um cartel para obter lucros extraordinários através de um sofisticado esquema de corrupção e fraude de licitações da Petrobras. Da receita obtida, parte era usada para pagar agentes públicos e partidos políticos, como o PP, PT e PMDB. Entretanto, investigadores da #Lava Jato pretendem também investigar a relação da empreiteira com o PSDB, tida como "próxima aos tucanos". Na última eleição, a empresa abertamente apoiava o candidato Aécio Neves e esta relação estreita chamou à atenção dos investigadores da Operação. #Governo