"Roque Santeiro", "Saramandaia", "Avenida Brasil" e, mais recentemente, "Os 10 Mandamentos"; são exemplos de novelas que mobilizaram as atenções do brasileiro. Nos lares, nas ruas, nas mesas de bar, nas filas de banco, nos coletivos, nas escolas o desenvolvimento das tramas era destrinchado e polemizado pelas pessoas. A "Operação Lava-Jato" da Polícia Federal, cada dia mais se parece com uma destas grandes novelas.

Uma trama interminável de reviravoltas, notícias-bomba, acusações de lado a lado, mocinhas, vilões, malandros, chantagens, diálogos chocantes e outras características presentes em todo folhetim que mobiliza a audiência da TV.

Publicidade
Publicidade

A prisão do senador Delcídio do Amaral foi mais um capítulo desta comédia trágica para os destinos do país. E certos detalhes da cobertura midiática demonstraram o quanto essa "novela" vem fazendo mal ao país.

Uma investigação que mais parece folhetim de péssima qualidade, carnavalizado, folclorizado, dramatizado. O "Petrolão", o "Mensalão", o "Aerolula", o "Aécioporto", o "Helioca", as "pedaladas fiscais". Coisas sérias ganham apelido, viram piada. A famosa delação premiada virou avião Kamikase, palco de francos atiradores. Homens condenados pela justiça com ações comprovadas de #Corrupção se transformaram em anjos denuncistas, cuja boataria preenche as páginas da grande imprensa brasileira como fossem verdades absolutas. É o paraíso dos criminosos, a palavra do bandido corrupto parece mais importante do que a de homens que não foram condenados e, muitas vezes, nem julgados.

Publicidade

Os mocinhos desta novela, fosse isto realmente um dramalhão televisivo, são o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

O primeiro com história humilde, vindo do nordeste. Homem com uma trajetória histórica e que se tornou o presidente mais bem avaliado da história do país. Outra, a mocinha que durante a juventude lutou contra a ditadura, estudou, teve uma carreira técnica de destaque e se elegeu a primeira mandatária mulher do país. Hoje, os dois sofrem com intermináveis tentativas de criminalização. Não existem argumentos jurídicos para condená-los ou, sequer, para os levar a um tribunal.

No entanto, são acusados todos os dias. Muitos, inclusive, usam sórdidos argumentos como preconceito aos nordestinos, xingamentos machistas, ridicularização do defeito físico do ex-presidente. Isso não parece uma trajetória de mocinhos de novela? Cujos mesmos são ridicularizados, ofendidos e humilhados injustamente durante a maior parte da novela até a redenção nos capítulos finais?

Boa parte da mídia nacional se apoia na fragilidade da profissão de jornalista para fazer os maiores absurdos.

Publicidade

Denúncias vazias em capas de revista, comentaristas em rádio e TV com tendências claramente demagogas, informação parcial, recortada ao gosto do partidarismo. O interesse em informar o cidadão fica em último lugar. No mesmo dia em que o senador Delcídio do Amaral foi preso, gravações da Polícia Federal caíram nas mãos da mídia com uma rapidez impressionante. Vazamentos que, aliás, são habituais. A mídia se delicia nas denúncias, gravações, bate-bocas no congresso e se esquece de cobrar coisas importantes como votações de projetos de lei para combater a crise, o desemprego, a inflação e outros pesadelos do brasileiro. 

Enquanto o congresso se ocupa mais em continuar o "cabo-de-guerra" entre governo e oposição, a mídia embarca na onda e não luta nem mesmo pelos próprios direitos dos jornalistas e estudantes de jornalismo. O país parece à deriva, igualzinho à lama da Samarco/Vale/BHP rumo ao oceano, sem destino. A "novela" '#Lava Jato', que deve completar dois anos em março, promete muitos novos capítulos de traições, denúncias e prisões. Tudo muito bem acompanhado pelos fofoqueiros da política, privilegiados pelos vazamentos de gravações e documentos que devem ser divulgados com parcialidade máxima. Para completar o drama bem brasileiro, só faltará virar enredo de escola de samba no próximo carnaval. #PT