Nessa quarta, 02, enquanto o Congresso votava a mudança da Lei de Responsabilidade Fiscal, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, soltava uma bomba, no salão ao lado. Comunicava à imprensa que aceitara o pedido de impeachment da presidente da República, #Dilma Rousseff, protocolado pelos juristas Helio Bicudo, Miguel Reale Jr e a advogada Janaína Pascal.

A presidente Dilma se pronunciou, logo após, declarando que se sentia "indignada" com a decisão de Cunha e negava que tivesse cometido "atos ilícitos" em sua gestão. Afirmou que não existe contra ela nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Continuou dizendo que não possui contas no exterior, não ocultou do povo brasileiro a existência de bens pessoais, nem pressionou ninguém ou qualquer instituição visando benefício próprio.

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Nesta última fala, a presidente, claramente, se refere às denúncias que recaem sobre Eduardo Cunha.

Já o presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, disse não poder avaliar se a decisão de Cunha foi um ato de retaliação (em função do PT declarar que iria votar contra Cunha na Comissão de Ética que investiga o parlamentar), no entanto, considera que o documento elaborado para justificar o #Impeachment é consistente e produzido por juristas acima de qualquer suspeita.

A base governista diz que vai apelar para o Supremo Tribunal Federal (STF). Dizem que vão acionar o STF questionando a decisão de Cunha. O vice-líder do PT (RS) Paulo Pimenta diz que a base governista ainda está avaliando qual será a argumentação jurídica e o instrumento que será usado, junto ao Supremo. Pimenta classificou a decisão do presidente da Câmara de "revanchismo" e o acusou de chantagear o #Governo.

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Conforme o portal G1, o pedido de impedimento da presidente Dilma divide a opinião de juristas. Para Dalmo Dallari, não há o mínimo fundamento jurídico que justifique o impeachment. Dallari diz que examinou, profundamente, os pareceres e tem a total convicção que o processo não irá adiante. O jurista acha que Cunha foi movido por interesses pessoais quando acolheu o pedido. Afirma, ainda, que tanto Bicudo, quanto Reale Jr. têm forte posição política contra o PT.  

Já o presidente do Instituto dos Advogados de SP, José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro, diz não ter a menor dúvida que existe fundamento jurídico em razão do descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, como já denunciou o parecer do Tribunal de Contas da União.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se manifestou informando que está analisando todos os elementos levantados pelos órgãos de controle e imprensa, antes de dar uma resposta à sociedade.

A imprensa internacional também já repercute a aceitação do pedido de impeachment da presidente do Brasil. A notícia foi destaque no americano The Wall Street Journal, no britânico The Guardian, no espanhol El País e no argentino Clarín.