A terça-feira (15) não poderia ter sido mais agitada para o presidente da Câmara dos Deputados, #Eduardo Cunha (PMDB – RJ). Logo cedo, a Polícia Federal (PF) deslocou alguns dos seus agentes para fazerem buscas na residência oficial do peemedebista em Brasília e também no seu escritório no Rio de Janeiro. Na capital brasileira, os policiais ficaram por cerca de cinco horas na casa de Cunha e foram recebidos pelo próprio parlamentar.

Curiosamente, a operação da PF foi denominada como Catilinárias, em uma clara alusão ao antigo político romano Catilinas, que objetivava derrubar o governo. A ação, que faz parte das investigações da Operação Lava Jato, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, após uma demanda emitida pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Outros políticos ligados ao PMDB também foram alvos da operação.

Para Cunha, as más notícias de uma polêmica terça-feira não pararam por aí. Na sequência, a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados votou a favor da manutenção do parecer que determina a continuidade da sua investigação. Cunha é acusado de ter contas secretas na Suíça e de ter mentido à CPI da Petrobras, ainda no mês de março. Por 11 votos a 9, o parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) foi aprovado e dará continuidade às investigações.

Os ventos sopram contra Cunha

Depois de ter autorizado a abertura do processo de impeachment da presidente #Dilma Rousseff, na quarta-feira (2), ainda no início de dezembro, os ventos parecem tem parado de soprar a favor de Cunha. Na semana passada, o ministro Luiz Fachin, do STF, suspendeu provisoriamente a comissão de deputados designada a analisar o processo de cassação da presidente – o Supremo poderá redefinir o rito de impeachment em sessão a ser realizada nesta quarta-feira (16).

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Neste domingo, em mais um dia marcado por manifestações nas principais capitais brasileiras, Eduardo Cunha não foi poupado e localidades como Brasília, por exemplo, registraram palavras de ordem contra o peemedebista. Dilma, ainda que tenha seguido como o grande alvo dos protestos, viu as ruas receberem uma menor adesão com relação às manifestações anteriores.

Ataque ao PT

Em entrevista coletiva concedida logo após o término da operação de busca e apreensão da PF, Eduardo Cunha partiu para o ataque e disparou contra o Partido dos Trabalhadores (#PT). Segundo ele, “há algo de estranho no ar”.

“Todo o santo dia tem roubalheira do PT fotografada e divulgada. Aí, de repente, começam a investigar e montar operação contra o PMDB. Tem coisa estranha no ar. Sabemos que o PT é o responsável pelo assalto feito ao Brasil. O assalto na Petrobras. Hoje a notícia é que Bumlai (pecuarista ligado a Lula) deu R$ 12 milhões de caixa dois ao PT. Ficou em segundo plano no jornal. Tem denúncia todo o dia”, disparou Cunha.

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No entanto, Cunha garantiu que não renunciará ao seu mandado como presidente da Câmara. Em outros momentos da Operação Lava Jato, ele já havia garantido que não sairia do cargo.

“O governo está querendo criar clima de revanchismo. Eles querem desviar a mídia do processo de impeachment e colocarem em mim e no PMDB. É revanchismo”, desabafou.