A revista Época, em artigo publicado no seu site, no último dia 16, traz novas revelações sobre o envolvimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no esquema de recebimento de propinas para a liberação de dinheiro do Fundo de Investimento do FGTS. Este dinheiro era liberado para o financiamento de obras de empreiteiras, no Rio de Janeiro. O artigo publicou trechos dos depoimentos dos empresários beneficiados com o esquema e que foram detidos pela Polícia Federal.

A prisão e a delação dos empresários detidos pela operação Lava Jato

A revelação do esquema de pagamento de propina foi possível, após a prisão de dois empresários cariocas, cuja empresa recebeu dinheiro do FGTS para a execução de obras no Rio.

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São eles: Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, ambos, sócios da empreiteira Carioca Engenharia.

Após assinarem o  acordo de delação premiada, os empresários contaram, em detalhes, todos os passos da negociação com #Eduardo Cunha para a liberação dos recursos. A empresa, citada na reportagem, participou do consórcio para a construção do Porto Maravilha. O total liberado foi em torno de R$ 8 bilhões.

Eduardo Cunha negociava diretamente com os empresários

Alguns detalhes chamam a atenção neste esquema. De acordo com o depoimento dos sócios, o próprio Eduardo Cunha negociava o valor da propina com os empresários. Não havia a presença de intermediários. Os valores foram acertados em reuniões pessoais com o próprio Cunha.

Um dos empresários revelou, na delação premiada, que elaborara até uma tabela de pagamentos para a propina destinada à Cunha.

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De acordo com levantamentos da Procuradoria Geral da República(PGR), o total pago a Eduardo Cunha foi de R$ 52 milhões. Este montante foi dividido em 36 vezes, repassados mensalmente a uma conta pessoal do político.

Os valores eram depositados em uma conta de Cunha num banco em Israel

As novas revelações mostram que Cunha repassara aos empresários os dados de uma conta bancária em Israel. No depoimento , eles citam o ISRAEL DISCOUNT BANK. Para esta instituição financeira, foram repassados o total de US$ 3.984.297,05, cujo beneficiário era o próprio deputado.

Como agia Eduardo Cunha para liberar o dinheiro das empreiteiras

O presidente da Câmara usava de sua influência, junto a órgãos como a Caixa Econômica e o Ministério das Cidades para conseguir a liberação das verbas. Neste ponto, entra em cena um terceiro elemento no esquema de propinas. Seria Fábio Cleto, indicado por Cunha, com o aval de Dilma, para gerenciar o setor de loterias da Caixa e do FGTS. Cunha aproveitava de sua relação com o mesmo, para garantir a liberação dos recursos.

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A investigação, feita pela PGR, mostra que Cleto também cobrava propina para a liberação dos recursos do Fundo.

As buscas realizadas pela Polícia Federal nas residências dos acusados

De posse dos documentos sobre a investigação, o ministro do STF, Teori Zavascki e relator de toda a operação Lava Jato,autorizou as buscas nas residências dos acusados, inclusive de Fábio Cleto, na última terça feira, dia 15.

O que tem a dizer Eduardo Cunha

Diante das investigações, Cunha afirma que tudo se trata de uma manobra de retaliação, por quem se sente ameaçado pelo avanço do processo de impeachment e, principalmente, pelos fatos que podem vir a ser confirmados pelo STF. #Corrupção #Investigação Criminal