Com a chegada das festas de fim de ano, havia uma expectativa por parte dos advogados de defesa dos presos da Operação Lava Jato: sob a alegação de que não há risco de cometerem novos crimes, acreditavam que seus clientes seriam liberados para o Natal. Porém, tudo indica que o Superior Tribunal de #Justiça (STJ) deve negar a liberação.

O apelo dos advogados que defendem Marcelo Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht, e o executivo Rogério Araújo, ligado à mesma empresa, pretendia convencer o ministro Ribeiro Dantas, recém empossado e que assumiu a relatoria dos processos da #Lava Jato, de que após quase cinco meses de prisão, seus clientes poderiam obter permissão para passar as festas em casa.

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A decisão final sobre a liberação de Marcelo Odebrecht deverá ser tomada na próxima terça-feira (15), mas a julgar pela negativa referente aos outros presos, ele deve ficar na cadeia.

Apenas um voto a favor da liberdade

Na sessão desta quinta-feira (10), Rogério Araújo, que assim como Marcelo Odebrecht foi preso por suspeita de envolvimento no pagamento de propina a ex-dirigentes e fraude em contratos da Petrobras, teve um voto favorável à liberdade, dado por Ribeiro Dantas. A seguir, porém, o ministro Félix Fischer pediu vista e a decisão foi adiada. A liberação de Rogério seria o sinal para que Odebrecht obtivesse a mesma decisão. Como havia pedidos de vista anteriores, o caso de Marcelo não foi analisado nesta ocasião. Mesmo que Ribeiro Dantas tenha opinado que "inexiste elemento concreto a indicar a presença de risco de reprodução delitiva", é mais provável que os ministros concluam que Marcelo pode oferecer risco às investigações da Lava Jato, pois, estando livre, poderá alterar provas utilizando-se das empresas do Grupo Odebrecht, que participaram de formação de cartel, fraudaram licitações e pagaram propina a agentes públicos.

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O argumento do juiz Sérgio Moro para mantê-los na prisão deve ser também considerado. O magistrado acredita que Marcelo pode influenciar na decisão de obtenção de novas delações premiadas e que tem capacidade para atrapalhar as investigações.

Já está decidido que serão mantidos presos o presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo, o publicitário Ricardo Hoffmann e o executivo Elton Negrão.

Pelas palavras do ministro Félix Fischer, acredita-se que este será o destino de todos os outros: "Não são crimes comuns, são casos gravíssimos que deixam a sociedade inteira perplexa. E crimes como estes da Lava Jato exigem firme atuação do Judiciário".