Os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), José Serra (PSDB-SP) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) uniram-se recentemente para declarar apoio ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) para que o mesmo trabalhasse pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Antes da união, apenas Serra era favorável à ascensão de Temer à Presidência da República, ao contrário de Aécio Neves - que também desejava a cassação do vice-presidente - e de Geraldo Alckmin, que defendia o mandato da presidente até 2018. Dilma, por sua vez, está preocupada que as ações de Temer sejam uma “conspiração” para tirá-la do poder.

Almoço com a oposição

No mesmo dia em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) anunciou a abertura do processo de #Impeachment, Michel Temer convidou sete senadores da oposição para um almoço em sua residência, o Palácio do Jaburu.

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Durante o encontro, foi discutido sobre o impedimento do mandato de Dilma e o fato de ela estar isolada, sem poder contar com a ajuda do ex-presidente Lula e do presidente do PT, Rui Falcão.

No último sábado (05), Temer foi convidado para participar de um almoço promovido pelo presidente das Indústrias Reunidas Jorge Chammas Neto. O encontro reuniu 30 convidados, entre eles o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e o governador Geraldo Alckmin, que também apareceu publicamente com Temer na cerimônia de premiação do grupo de líderes empresariais Lide, presidida pelo empresário João Doria Jr. neste domingo (06).

"Integral confiança"

Durante o lançamento do plano nacional de combate ao mosquito Aedes aegypti no último dia 05, em Recife, #Dilma Rousseff disse que espera lealdade da parte de Temer: “Eu espero integral confiança do Michel Temer.

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E tenho certeza que ele dará… Ao longo desse tempo eu desenvolvi a minha relação com ele e conheço o Temer como pessoa, com político e como grande constitucionalista”. O discurso, porém, não condiz com as suas ações. Preocupada, Dilma pediu à base aliada para que monitorasse cada ação do PMDB, a fim de impedir que a chamada “conspiração” peemedebista seja bem-sucedida.

"Capitão do golpe"

Para o ex-ministro Ciro Gomes, durante uma entrevista no programa “Maria Godoy Entrevista”, Temer estaria planejando com Eduardo Cunha a deposição de Dilma Rousseff: “O Eduardo Cunha está vendo nesta possibilidade de derrubar a Dilma a salvação do mandato dele, com o possível #Governo do sócio e amigo dele, íntimo, que é o Michel Temer. Isso é o que está acontecendo no Brasil”.

Em certo momento, Ciro Gomes declara que entraria com um processo de impeachment contra o vice-presidente se Dilma for afastada: “Se ele for, quem vai entrar com o pedido de impeachment no primeiro dia sou eu. E quero anunciar ao Brasil: já estou com a cópia dos decretos de pedalada fiscal que ele assinou como interino da Presidência da República.

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Só para você ver como a molecagem funciona no Brasil”.

Deslealdade institucional

Em uma recente entrevista ao jornalista Josias de Souza, Michel Temer disse que se recusa a fazer qualquer articulação contra o impeachment: “Nesta situação que existe no momento, não quero praticar deslealdade institucional. Isso eu jamais praticaria”. Temer também faz críticas à atual gestão, afirmando que “se a presidente Dilma fizesse essa coalização nacional, com todos os partidos, o país sairia desse embaraço em que se encontra”.

O vice-presidente também lembra os processos no TSE referentes às contas eleitorais de 2014, que segundo ele, “podem caçar a chapa”. No entanto, segundo Temer, o Tribunal Superior Eleitoral deveria separar as contas do peemedebista das contas da campanha de Dilma durante o julgamento, alegando que as suas contas não estão envolvidas com “as propinas extraídas de negócios com a Petrobras”.