Uma reportagem publicada no site do Valor Econômico, no último dia 14, mostra que o ex-diretor de assuntos internacionais da Petrobras, Nestor Cerveró, alterou seu termo de delação premiada, elaborada pelo seus advogados de defesa e entregue aos investigadores da operação Lava Jato. As alterações dizem respeito à menção dos nomes de #Lula e Dilma, que foram retirados do documento que trata das negociações da refinaria de Pasadena, no Texas.

O termo de declaração inicial da delação premiada elaborada por Cerveró

Ao optar pela delação premiada, o réu deve elaborar um resumo de suas declarações que deverão ser entregues à Justiça para compor o processo.

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No caso do ex-diretor, as declarações inicias foram entregues por seus advogados.

As divergências entre as declarações de Cerveró

A primeira contradição entre as declarações mostra que o nome da construtora Odebrecht foi substituído pelo da UTC na negociação da propina que foi adiantada pela mesma na compra da refinaria de Pasadena. Este pagamento seria feito para financiar a  campanha de Lula para a reeleição à presidência em 2006. Quem estaria na coordenação do repasse da 'verba' seria o senador já preso Delcídio do Amaral, do PT. 

O nome de Lula desaparece dos termos homologados pelo STF

No depoimento homologado pelo relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zawascki, o nome de Lula foi retirado como possível beneficiário do esquema. A empreiteira envolvida seria beneficiada com a execução das obras do parque de refino de Pasadena (Revamp).

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Entretanto, a reforma nunca saiu do papel.

Nestor Cerveró deixa de citar Dilma como sua chefe superior na rotina de trabalho na Petrobras

Cerveró cita mais de uma vez o nome de #Dilma Rousseff como envolvida direta na compra da refinaria. Na época, a presidente ocupava o cargo de chefe do conselho de administração da estatal. Portanto, na sua concepção, ela estaria a par de toda a transação. Esta informação é confirmado pelo próprio delator, que cita as várias reuniões que teve com mesma. Nestas ocasiões, ela estava sempre acompanhada de Delcídio, que parecia manter uma amizade muito próxima com a presidente. Dilma sempre cobrava e estimulava que o ex-diretor fechasse a compra de Pasadena.

A compra da refinaria foi fechada rapidamente

A aquisição de Pasadena foi feita rapidamente pelo valor de U$380 milhões. Deste total, foram distribuídas as propinas entre Cerveró, Paulo Roberto Costa, até então diretor de abastecimento, o lobista Fernando Baiano, gerentes da Petrobras e os executivos da Astra Oil.

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 A chantagem de Delcídio

Cerveró alterou seu depoimento inicial ao citar que fora chantageado por Delcídio, que exigia dinheiro para a sua campanha ao governo de Mato Grosso do Sul. O senador ameaçou o ex-diretor a retirá-lo do cargo. O delator disse que abriu mão de sua propina em favor do mesmo. Baiano foi quem executou a entrega, a pedido de Nestor.

De acordo com a Procuradoria Geral da República(PGR), as divergências entre os termos de delação premiada são constantes. Todas as versões serão confrontadas com documentos em poder da Justiça para que haja uma apuração real dos fatos. Os demais detalhes correm em segredo para não prejudicar as investigações.

O governo responsabiliza Cerveró pela compra da refinaria, que se baseou num relatório, segundo o mesmo, cheio de erros feito pelo delator. A UTC e o próprio Lula não comentaram ainda o fato. #Petrolão