A conta chegou. Depois de sucessivos erros no âmbito político e econômico, o Palácio do Planalto terá um 2016 em que sua grande missão será arrumar a casa, e só. Em um cenário atual que ainda se escurece com a sobra do impeachment da presidente Dilma Rousseff e com os desdobramentos da Operação Lava Jato, o #Governo não terá como construir uma agenda propositiva para o país. Pelo contrário, todos os movimentos serão em apenas uma direção: salvar a própria pele.

A análise é do cientista político, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e colaborador do Centro de Liderança Pública (CLP), Leandro Piquet.

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Em entrevista exclusiva concedida à Blasting News Brasil, o docente transmitiu suas impressões sobre o momento político brasileiro e avaliou que o cenário atual sofrerá poucas modificações, já que, em suas palavras, será um ano de "gestão de #Crise".

"Sem grandes novidades no cenário político. Os desafios para o governo estão postos e são imensos: resistir ao impeachment e às investigações da Lava Jato, administrar a crise econômica e enfrentar as pressões dos partidos da base e dos movimentos sociais diante das restrições do orçamento. O governo vai passar o ano fazendo “gestão de crise”, não vejo espaço para muito mais do que isso", avaliou Piquet.

Crise, aliás, é o que não faltou no contexto político brasileiro em 2015. Além da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff aceito por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados - também investigado na Lava Jato -, a divisão do PMDB provocou dores de cabeça para o primeiro escalão do governo.

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No auge da instabilidade, o vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do partido, enviou uma carta-queixa à presidente Dilma, lamentando ter perdido o seu "protagonismo político".

Alternativa para sair do lugar

A polarização entre o PT e o PSDB, rivais ferrenhos na disputa pelo poder, pode estar com os dias contados. Reféns da velha política e cada vez mais habituados a se verem no centro de escândalos de corrupção, as siglas podem ficar sem suas cadeiras cativas no próximo pleito. Na leitura política feita por Piquet, Marina Silva pode se tornar a grande alternativa para 2018, quando os brasileiros novamente terão o direito de eleger o presidente da República. 

"A alternativa existe: Marina Silva. Em 2010 ela obteve 19,3% dos votos, em 2014, 21,3% e, a julgar pelas pesquisas de intenção de voto, terá um papel relevante em 2018. De fato sempre houve uma alternativa, uma terceira via nas eleições presidenciais. A única eleição perfeitamente bipartidária foi a de 2006, na qual Lula e Alckmin ficaram com 48% e 42% dos votos respectivamente e Heloisa Helena com apenas 7%", explana Piquet.

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"PT e PSDB disputaram as últimas seis eleições, mas sempre com o concurso de um terceiro partido. É claro que a crise econômica, a Lava Jato e o impeachment podem mudar esse cenário e tirar o PT, e até mesmo o PSDB, da disputa. Crises como essa não são boas para os que estão estabelecidos e aumentam o risco de que surjam aventureiros", acrescentou.

  #Dilma Rousseff