Caso inusitado na Operação Lava Jato, o lobista Fernando Moura, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, e o livrou da prisão, prometendo revelar todo o esquema preparado, segundo ele, por José Dirceu com a diretoria da #Petrobras para abastecer caixa dois do PT. O intrigante é que na presença do juiz Sergio Moro, caso ocorrido nessa sexta-feira (22), Fernando Moura simplesmente não cumpriu o prometido e ainda livrou José Dirceu e os empresários favorecidos para cargos na Petrobras por Renato Duque. Quando acareado com suas próprias confissões, em um depoimento que levou cerca de duas horas em Curitiba, Fernando Moura, pareceu se fazer de desentendido, chegando a gargalhar em certas circunstâncias e em outras gaguejava.

Publicidade
Publicidade

Declarações anteriores de Fernando Moura

Em 28 de agosto de 2015, Fernando Moura relatou que foi ideia de José Dirceu para que ele ficasse longe do Brasil enquanto durasse o mensalão. Falou também que "Depois que assinou o termo do depoimento e quando foi ver o que estava escrito, foi quando José Dirceu me sugeriu ir embora do país", mas no final acabou recuando dizendo: "Não foi esse o caso". Em uma descrição feita por Fernando Moura na presença de seus advogados durante a preparação da negociação da delação premiada, ele afirmou: "Após ver meu nome em reportagens envolvido em escândalo do mensalão, recebi a orientação de José Dirceu para sair do país, foi quando no início de 2005, fui para Paris onde permaneci de março a julho, ficando até o Natal em Miami".

Fernando Moura esteve ao lado de José Dirceu por muitos anos (30 anos), ajudando em suas campanhas e quando Lula ganhou, foi cobrar do amigo (José Dirceu) um cargo no Palácio do Planalto, que não foi concordado por Dirceu, que achou muito arriscado e que chamaria muita atenção colocar um amigo próximo em um cargo público.

Publicidade

Dirceu então aconselhou que Moura arranjasse uma empresa para ele, que o ajudaria em nível de governo. Foi quando Fernando Moura foi procurado por um dos donos da empresa Etesco, que prestava serviço de engenharia para a Petrobras, Lucínio Machado, que exigiu a indicação de Duque para a diretoria de serviços. Fernando Moura fala que depois de tudo arranjado passou a receber uma mesada de US$ 30 mil da Etesco trimestralmente.

Depois de lido todo seu depoimento, o juiz Sergio Moro indagou ao lobista se a Etesco teria tirado vantagem de Duque na estatal. O delator chegou a ironizar, "Falei isso?" e ainda aos risos, sugeriu que teriam alterado seu depoimento. E ainda ironicamente fala: "Mas se falei, eu concordo".

Naturalmente impassível, o juiz Sergio Moro o repreende: "Não, não é assim que funciona". #Lava Jato #Petrolão