Acordos realizados pela Operação Lava Jato têm diminuído consideravelmente as penas antes impostas aos delatores pelo juiz Sérgio Moro. Para se ter uma noção mais nítida da situação, de acordo com um levantamento realizado pelo jornal Folha de São Paulo, e publicado nesta segunda-feira, dia 18 de janeiro, as penas somadas de todos os delatores chegam a 283 anos de prisão, entretanto, com os acordos de delação premiada, tais penas somadas foram reduzidas para 6 anos de reclusão fechada.

Os dados apresentados pela Folha foram baseados no balanço feito pela própria Operação #Lava Jato, divulgado para a imprensa pelo juiz Sérgio Moro em dezembro de 2015.

Publicidade
Publicidade

Tanto Moro, como também os procuradores que fazem parte da Operação, defendem os acordos, e garantem que os mesmos contribuem significativamente para o desenrolar das investigações.

Segundo informações dos procuradores, 40 acordos já foram realizados e todos eles juntos ajudaram a se concretizar acusações criminais oficiais de #Corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro contra cerca de 180 pessoas, sendo que, ainda segundo os procuradores, 80 destas pessoas já foram condenadas.

Especialista critica redução drástica das penas aos delatores

Apesar das prisões, críticos da delação premiada, feita pela Operação Lava Jato, alertam que tais acordos podem passar uma sensação de impunidade para a população brasileira, o que pode ser um risco de novas revoltas e manifestações populares Brasil afora.

Publicidade

É o que acredita o cientista político Jorge Gomes.

“Não há dúvidas que a Operação Lava Jato tem conseguido, graças às delações premiadas, chegar a muitas pessoas envolvidas nos casos de corrupção da Petrobras e demais casos relacionados, e é importante informar para a população que esta ferramenta da delação ou acordo é totalmente legal, mesmo ainda havendo muita discussão sobre a forma como ela é realizada”, explica Gomes.

“No entanto, acredito que o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Operação estão exagerando na redução das penas dos delatores. Isso dá margens para questionamentos éticos sobre a maneira como as delações estão sendo conduzidas. Mesmo ‘ajudando’ a Justiça a encontrar outros criminosos, tais delatores também são criminosos e tem que ser tratados como tais. Seria importante encontrar uma outra forma de ‘premiação’, pois tal redução drástica das penas pode gerar revolta da população, que, com razão, quer ver estes criminosos presos pelo tempo que foram condenados”, conclui o cientista político.

Publicidade

População também critica redução das penas

A crítica à redução das penas dos delatores na Operação Lava Jato não está sendo feita apenas por especialistas em ciências políticas. Grande parte da população brasileira, que acompanha o andamento das investigações por meio dos noticiários da Televisão, do Rádio, e dos demais veículos de comunicação no país, também critica a “premiação” dada aos delatores.

Para João Marcelo Maia, 28 anos, comerciante autônomo, os delatores devem sim receber alguma bonificação por ter colaborado com a Justiça, mas não uma redução muito grande da pena.

“Até entendo que eles mereçam alguma bonificação por ter ajudado, mas redução de pena é demais. Se roubou tem que ser preso. Quando é uma pessoa comum que rouba não vai pra cadeia? Por que eles quando roubam querem redução de pena? Só porque tem colarinho branco? Por que usam gravata? Nada disso! Se roubou tem que ficar na cadeia. Se eles ajudaram na delação colocam eles em uma sela boa, ou dá algum outro prêmio, mas tem que ficar na cadeia até a pena acabar. É assim que tem que ser”, afirma João. #Investigação Criminal