Na última terça-feira (19), integrantes do Movimento Passe Livre foram as ruas de São Paulo com um lema: “Se o governo garante um sistema gratuito de saúde, por que também não garantem o transporte público gratuito?

O Movimento Passe Livre realizou, só esse ano, quatro protestos por causa do aumento da tarifa de ônibus, que foi reajustado de R$3,50 para R$3,80 em São Paulo.

Segundo especialistas em política, a pergunta faz muito sentido. Além dos benefícios sociais, o transporte público ajudaria a reduzir o volume de carros e motos nas ruas. Porém, essa é uma proposta inviável por causa do seu alto cuto mensal. Com a gratuidade para estudantes e idosos, a prefeitura já arca com uma receita mensal de 2 bilhões de reais.

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Em nota, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, informou que o passe livre para toda a população custaria o mesmo valor que toda a receita do IPTU: 8 bilhões de reais.

 Quem pagaria a conta?

Segundo o economista Paulo Sandroni, a questão é bem mais simples de se resolver. Para ele, um aumento do imposto de carros de luxo e IPTU de casas em locais mais privilegiados de São Paulo pagaria tranquilamente essa conta. Segundo ele, “o IPTU dos verdadeiros ricos poderia dobrar.”

Para Lúcio Gregori, essa conta deveria ter sua parte financiada pelo Estado e pela União. Além disso, seria necessário um choque de gestão para ser feito cortes no orçamento da prefeitura e redirecionar os recursos para pagar essa conta.

Para Ricardo Gaspar, economista da PUC- SP, a tarifa zero realmente é inviável para uma cidade do tamanho de São Paulo.

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Ele ainda afirma que para a prefeitura ter condição de bancar a tarifa zero seria necessário trocar algum serviço público pela tarifa zero.

Cidades com transporte gratuito

As cidades Agudos (SP) e Porto Rea (RJ) contam com a tarifa zero no transporte público para toda a população.

Sidney, na Austrália, além das linhas pagas, tem também algumas linhas gratuitas para toda a população.  A capital da Estônia, Tallinn, que tem hoje mais de 380 mil habitantes, é considerada a capital do transporte público gratuito. Em 2013, começou a gratuidade do transporte público na cidade.

Segundo Gregori, não se pode comparar uma cidade com a outra. Cada uma tem sua receita diferenciada. Segundo ele, o assunto deve ser tratado com certa particularidade. #Crise #Crise econômica #Protestos no Brasil