O ministro Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou o recurso impetrado pela defesa do senador Delcídio do Amaral, do Partido dos Trabalhadores (PT-MS) e decidiu soltar o petista, nesta sexta feira, 19. Com isso, o parlamentar poderá voltar as suas atividades normais no Senado, tendo como única restrição, se recolher ao seu domicílio, durante a noite e nos dias de folga, no Legislativo.

A decisão do ministro do STF inclui também que Delcídio entregue o passaporte ao Supremo, num período de, no máximo, 48 horas e não mantenha contato com os demais investigados no caso. 

O Palácio do Planalto que estava assustado com a possibilidade do senador concordar em revelar alguns segredos da corte, através de acordo de delação premiada, viu com bons olhos a decisão de Teori Zavascki.

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Nas últimas semanas, Amaral enviou algumas mensagens para pessoas próximas a presidente Dilma Rousseff, ameaçando fechar acordo, se não fosse solto, rapidamente.

No entanto, o #Governo não contava com a soltura de Delcídio. Tanto que agora não sabe o que fazer com ele. O senador já foi substituído em suas funções na Comissão de Assuntos Econômicos, pela senadora Gleisi Hoffmann. Ou seja, ele terá um cargo parlamentar, mas não vai ocupar os cargos que ocupava antes.

Os advogados de Amaral, Antônio Figueiredo Basto e Luis Henrique Machado, garantem que o senador não assinou acordo de delação premiada.

Embora o senador aguarde somente trâmites burocráticos para ser solto, ainda pesa sobre ele a ameaça de ter seu mandato cassado, pois há um processo em andamento no Senado, que pede sua cassação. 

Relembrando o caso

O senador participou de reunião com Nestor Cerveró, ex-presidente da Petrobrás, e envolvido até o pescoço com os escândalos de corrupção na estatal.

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Na tal reunião, Amaral oferecia a Cerveró uma mesada de R$ 50 mil e um mirabolante plano de fuga para a Espanha.

Em troca, o ex-diretor devia se comprometer a não abrir a boca e desistir de assinar um acordo de delação premiada que, certamente, comprometeria muita gente do PT. O que o senador Delcídio não contava era que o filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, também presente na reunião, gravasse a proposta indecente de Amaral a seu pai.

Pronto. Essa gravação foi o estopim para a prisão do parlamentar, acusado de estar atrapalhando as investigações da #Lava Jato.