Caminhos distintos: enquanto a alta cúpula do Partido dos Trabalhadores se reunia no Rio de Janeiro para celebrar 36 anos de existência da legenda, a presidente #Dilma Rousseff se ausentava em decorrência de uma visita oficial ao governo chileno em agenda pedida pelo Palácio do Planalto. A "falta" de Dilma à festa do #PT, ocorrida no sábado (27) com a presença do ex-presidente #Lula, é sintomática. Não há como esconder o flagrante processo de afastamento do próprio partido.

Segundo informações divulgadas pelo periódico Estadão, o processo de distanciamento de Dilma Rousseff do PT é uma estratégia para que ela possa concluir o seu mandato - ameaçado desde o ano passado, sobretudo após a abertura do processo de impeachment pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB - RJ).

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Na visão de Dilma, descolar sua imagem do PT nesse momento é uma forma de conter as investidas da oposição em tirá-la do cargo.

Duas vertentes se abrem nessa divisão entre Dilma e PT. O forte envolvimento do partido na Operação Lava Jato, que investiga até mesmo a relação entre Lula e algumas empreiteiras, tem desgastado a imagem da sigla e por consequência a de Dilma. No mesmo passo, a presidente entende que a reforma da Previdência será crucial para recuperar a credibilidade do país perante os investidores e a força no mercado. A ala majoritária do PT, entretanto, é contra essa reforma.

Em Santiago, capital chilena, Dilma desconversou sobre a sua ausência na confraternização petista e disse que não teria como chegar a tempo do evento. Ao ser perguntada sobre as reclamações do seu partido com os ajustes econômicos da sua gestão, ela foi direta: "Não governo apenas para o PT.

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Meu governo é para 204 milhões de brasileiros".

Tema central na divisão vivida com o próprio partido, a reforma da Previdência também foi comentada por Dilma em solo chileno. Ela entende que uma mudança no sistema de aposentadoria seria de grande importância para a readequação fiscal: "É primordial que os brasileiros possam trabalhar mais. Mas não hoje. E nem amanhã. E nem depois de amanhã. Creio que é isso que as pessoas têm medo", disse, pregando cautela sobre o tema.

Lula se manifesta

No meio da relação momentaneamente conturbada entre Dilma Rousseff e o partido que ela carrega consigo, surge a figura emblemática de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, ex-presidente da República e grande mentor de sua sucessora. Presente na festa do PT, Lula tentou colocar panos quentes no atual "racha" vivido pela sigla que ele tanto batalhou para fortalecer.

"A presidente Dilma não vai conseguir sozinha ter forças para resolver todos os problemas. Nós, por mais que tenhamos discordâncias com pessoas do governo, precisamos ter consciência que esse governo é nosso e temos que fazer dar certo", disse.

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Por fim, o ex-presidente Lula fez um apelo bem ao seu estilo, pedindo foco no "povo". "Dilma precisa governar para o povo. Ela precisa ter a certeza que, ainda que tenha divergência, o lado que ela tem que ir é este", finalizou.