O marqueteiro João Santana não declarou à Receita Federal participação como sócio em quatro empresas que administra no exterior. A informação foi divulgada ontem, quarta-feira, dia 24 de fevereiro, pela Operação “Acarajé”, que é a 23ª fase da Operação Lava Jato, e que prendeu o marqueteiro, juntamente com sua esposa, Mônica Moura Santana, na última terça-feira, dia 23 de fevereiro. Ambos estavam na República Dominicana (no Caribe) participando da campanha política deste país.

Ainda segundo informações divulgadas pela Operação “Acarajé”, João Santana apresentou à Receita, no mês de novembro (2015), uma retificação para ter a posse das quatro empresas citadas acima.

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No início desta semana, o jornal Folha de São Paulo publicou revelações importantes a cerca de um relatório da Receita Federal, no qual havia denúncias graves de divergências e incompatibilidades em inúmeras declarações de Imposto de Renda feitas pelo marqueteiro e por sua esposa, Mônica. 

De acordo com os investigadores da Operação #Lava Jato, na retificação feita no final do ano passado, João Santana corrigiu informações dadas entre 2010 e 2014 à Receita, e reconheceu sua participação como sócio em quatro empresas: uma em El Salvador (na América Central), criada em 2009, outra no Panamá (também na América Central), criada em 2013, mais uma na República Dominicana (no Caribe), criada em 2011 e, por fim, mais uma na Argentina (América do Sul), criada em 2003.

Novas descobertas

Na retificação feita em novembro passado, o marqueteiro João Santana não incluiu a empresa Shellbil Finance S/A.

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No entanto, a Polícia Federal descobriu que tal empresa é administrada por Santana e por sua mulher, e a mesma recebeu cerca de US$ 7 milhões da Odebrecht, através de uma outra empresa menor, que a Shellbil controlava no exterior, e por meio do lobista Zwi Shornicki, também preso pela Lava Jato.

A Polícia Federal descobriu que Zwi Shornicki também transferiu cerca de US$ 12 milhões em propina para Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e aproximadamente US$ 6 milhões para Pedro Barusco, ex-gerente da maior petrolífera brasileira.

“Prisão de marqueteiro alimenta, ainda mais, o eco da oposição”, diz cientista político

Para o cientista político Jorge Gomes, a prisão do marqueteiro João Santana é delicada, pois se trata de uma personalidade muito próxima da atual presidente. Além disso, reforça o eco da oposição, que clama pelo impeachment.

“É uma prisão muito delicada. Trata-se de um dos maiores marqueteiros do mundo, pois já venceu eleições em diversos países, sobretudo, da América Latina.

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Mais o agravante é o fato de João Santana ser muito próximo do ex-presidente Lula e da atual presidente Dilma Rousseff. Santana ajudou Lula e Dilma a se elegerem e agora, justamente quando o atual Governo sofre constantes ameaças de impeachment, ‘estoura uma bomba’ dessas para o PT. É certo que este fato vai alimentar, ainda mais, o eco da oposição, que clama, fervorosamente, pelo impeachment”, garante Gomes.

“No entanto, a prisão de João Santana pode apenas ser mais uma, dentre tantas outras que já foram feitas, mas que não resultaram na queda do atual Governo. Lembremo-nos do estouro do 'mensalão' na década passada, quando vários nomes fortes do PT caíram, como José Dirceu e José Genoíno, mas Lula se manteve no poder. Recentemente, o Senador Delcídio Amaral, muito próximo a Dilma, também foi preso, porém, não culminou em uma queda da atual presidente. Acho que o jogo político está em aberto e só acredito no impeachment se aparecem provas concretas da PF que comprometam, significativamente, Dilma Rousseff”, conclui o cientista político. #Corrupção #Investigação Criminal