O promotor Cassio Conserino do Ministério Público de São Paulo está autorizado a continuar investigando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre suposta ocultação de patrimônio e outros crimes envolvendo o apartamento tríplex no Guarujá, litoral Paulista.

Após pedido do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) suspendeu as investigações do promotor na última semana para análise de conduta. Em votação unanime nesta quarta-feira (23), integrantes do CNMP acompanharam o voto do conselheiro Valter Shuenquener pela manutenção de Conserino na investigação sobre o ex-presidente.

Na sessão de hoje, o CNMP também revogou a decisão que suspendeu o depoimento de Lula e de sua esposa, a ex-primeira dama Marisa Letícia, que prestariam no Fórum Criminal de São Paulo, no último dia 17.

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Shuenquener, porém, pediu que o Ministério Público de São Paulo apure se houve excesso de Conserino ao conceder uma entrevista à revista Veja na qual afirmava que denunciaria #Lula no caso investigado - motivo que suscitou a representação do deputado petista contra o promotor.

Lula e a esposa são suspeitos de terem ocultado a propriedade do tríplex 164-A, de 297m², no Edifício Solaris, na praia do Guarujá (SP). O imóvel pertencia à Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários), foi repassado para a construtora OAS e recebeu reforma ao custo de R$ 700 mil. A defesa do ex-presidente alega que ele possuía cotas no empreendimento da Bancoop, mas que havia desistido da compra.

O apartamento também é alvo do escrutínio da Operação #Lava Jato, que apura se ele teria sido usado pela OAS como forma de pagamento de propina ao ex-presidente.

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De acordo com o Jornal Nacional, da TV Globo, ao menos dez pessoas já foram ouvidas na investigação do MP-SP sobre o tríplex. Armando Dagre Magri, responsável pela Talento Construtora, que foi contratada pela OAS para reformar o imóvel, disse às autoridades que trocou todo o acabamento do local, realizou mudança na escada e ainda instalou elevador privativo. Segundo Magri, o tríplex praticamente foi refeito na obra que durou de abril a setembro de 2014.

Outras testemunhas no caso afirmaram ter visto a ex-primeira dama no local diversas vezes acompanhada pelo filho Fabio Luis da Silva e do então presidente da OAS Léo Pinheiro, hoje condenado a 16 anos de prisão em primeira instância na Lava Jato. #Polícia Federal