Muitas perguntas ficaram jogadas no ar após a divulgação da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral pela revista “IstoÉ” na última quinta-feira (3). Citando os nomes de Dilma Rousseff e Lula, a matéria caiu como uma bomba em Brasília e deixa várias lacunas em aberto.

Para tentarmos entender melhor como ficará o cenário político, elaboramos os 5 principais questionamentos dos nossos leitores e respondemos para esclarecer todas as dúvidas.

Veja as perguntas e respostas:

Qual a relevância e o impacto das denúncias virem do ex-líder do Governo no Senado?

Primeiro, o Governo, por meio de parlamentares, notas e outras autoridades.

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utilizaram a tática de esvaziar a credibilidade do suposto delator durante todo o dia. De fato, no momento, sendo o primeiro parlamentar a ser preso no exercício do mandato, Delcídio não goza de tanta credibilidade.

Por outro lado, ele é o primeiro alvo político da Operação Lava Jato, que até então trabalhava no ramo de empreiteiras e agenciadores. Por ter essa proximidade tão grande no Planalto, e a influência necessária para transitar, é de se imaginar que ele seria mesmo a peça nas supostas tramoias que o próprio afirma ter participado. E que fique claro, em sua nota, Delcídio não nega as afirmações, ele diz apenas que não confirma e que em nenhum momento foi contatado pela revista.

Esse pode ser o “estopim” para as manifestações do dia 13 de março?

É o que aposta a oposição. As manifestações de rua vinham se esvaziando, e essa suposta delação é o combustível que os organizadores precisavam para inflar o discurso e retomar com força o processo de impeachment.

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Ao passo que o Governo, que vinha interpretando como esvaziadas as últimas manifestações, verá um gás a mais dos atos pró-impeachment.

Pela ótica da população contrária a Dilma, a delação pode ser vista como “os 20 centavos” de 2013 e que culminaram com tantos protestos. No fim das contas, “não é pela delação”, é por todo o cenário de crise, a delação pode ser apenas o estopim.

A possível candidatura de Lula em 2018 está em risco?

A conta é simples, se a suposta delação for confirmada, o ex-presidente #Lula corre o sério risco de ser preso. Ao certo, nem #PT nem Lula ainda se manifestaram sobre 2018, mas, pela falta de nomes, a figura de Lula é dada como quase que certa nos bastidores da corrida presidencial.

Lula vive talvez seu pior momento político no que diz respeito à credibilidade e popularidade, e o que ele menos precisa agora é ser ligado a mais escândalos. Quase que diariamente a mídia apresenta alguma denúncia contra o ex-presidente, porém, a suposta delação atinge Lula como em nenhum outro momento de sua carreira, nem quando do mensalão.

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Mesmo que tudo seja desmentido, a propaganda ruim pode arranhar mais ainda a imagem do ex-presidente e ele pode não estar disposto a ir para frente de batalha.

O quanto influencia a delação no impeachment de Dilma?

Efetivamente, nada. O que influência é no clima político que se constrói cada vez mais desfavorável a presidente Dilma. A suposta delação ainda não chegou nem a ser homologada, e caso seja, não se trata de uma prova cabal.

A ideia do Governo de abafar o impeachment e inflar o tema cassação de Eduardo Cunha estava seguindo um ritmo perfeito, porém, a suposta delação soprou tão forte que agora é o contrário. Quem sorri com isso é o presidente da Câmara. De qualquer forma, atrasar o processo não vai, na melhor das hipóteses para o Governo, vai manter o rito como está.

Qual será o rumo da Lava Jato agora?

Delcídio é o primeiro alvo político da Operação Lava Jato atingido em cheio. No mesmo dia, Eduardo Cunha se tornou réu da Operação, outro político. Pode ser que a Operação deixe de transitar no cenário dos articuladores e passe agora a atingir os políticos que encabeçavam o esquema. Além de Lula e Dilma, vale ressaltar que Delcídio supostamente delatou outros parlamentares, e pelo que se sabe das tratativas do senador nos bastidores, ele possui cartas na manga contra diversos outros. #Dilma Rousseff