Não é de hoje que diversos famosos, como o cantor Chico Buarque, que apresentam sua posição política e ideológica evidente para todos os brasileiros conhecerem. Na última semana, inclusive, um vídeo convocando para as manifestações do dia 18 de março teve a presença marcante de diversos globais, como José de Abreu e Letícia Sabatella.

Dessa vez, Chico decidiu opinar sobre o ato político montado durante a peça musical 'Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos', em Belo Horizonte, proibindo o uso de suas canções no musical a partir de hoje. As informações foram dadas pela assessoria de imprensa de Chico para o jornal Folha de São Paulo.

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O musical é interpretado por uma companhia de atores. Dentre eles, Claudio Botelho que polemizou ao incluir um 'caco' - improviso, na gíria do teatro - dentro do espetáculo. Entre as canções 'Roda Viva', de 1967, 'Calabar', de 1973, 'Gota D´água', de 1975 e 'Ópera do Malandro', de 1978, muito usadas como símbolo de protestos contra a ditadura militar e reivindicação da volta da democracia, o grupo organizou um ato contra o governo da presidente Dilma Rouseff (PT), aliado a um pedido de impeachment.

Na cena, um dos membros do grupo de atores chega a uma cidadezinha e dizem: "Será que está todo mundo vendo a novela das oito horas ou esperando a notícia de um presidente que foi preso? O presidente está esperando seu impeachment?", disse para o público.

Revoltados, diversas pessoas do público levantaram-se e gritaram o nome de Chico Buarque junto com a frase: "Não vai ter golpe".

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A peça precisou ser encerrada naquele momento devido à confusão.

Racismo

Botelho ficou indignado com a situação, segundo um áudio de uma conversa dele com a atriz Soraya Ravenle, que tenta tranquilizá-lo.

Algumas pessoas chegaram a chamá-lo de racista pelas redes sociais, pois em parte da conversa ele compara negros a sua posição.

"Um ator não pode ser peitado por um negro, por um filho da puta que está na plateia. Eu estava fazendo ficção", disse.

Fim da autorização

Por conta da confusão, a direção do espetáculo preferiu não dar continuidade às próximas apresentações por motivos de segurança.

A proibição de uso surgiu do próprio Chico, que segundo a sua assessoria, "reagiu com espanto e muito desagrado à postura de Claudio". #Dilma Rousseff #Crise no Brasil #Protestos no Brasil