Após o desembarque do PMDB do Governo #Dilma Rousseff na última terça-feira (29), o principal questionamento que ficou no ar foi: será possível manter uma governabilidade sem a maior bancada da Câmara e do Senado? Sem lançar candidatura própria em disputas presidenciais desde 1994 com Orestes Quércia, o PMDB adotou a postura de conseguir grandes bancadas e se fazer necessário ao governo dessa maneira. Pela primeira vez em mais de 20 anos, um presidente da República terá que governar sem o suporte do PMDB.

Para a cientista política e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Rosemary Segurado, o momento do rompimento do PMDB com o Governo é bastante oportuno.

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“Abala profundamente a governabilidade, isso foi feito exatamente para atacar a governabilidade. O PMDB é o fiel da balança, e mais uma vez ele se mostra que dependendo para onde a balança pesa mais ele vai mais para um campo ou outro”, disse.

Em troca de apoio, o PMDB chegou a ocupar sete ministérios e mais de 600 cargos no Governo.

“Não dá para fazer uma governabilidade a qualquer preço, e é o que estamos vendo agora”, condenou Rosemary.

O governo de coalizão, como ficou conhecido durante o Governo Lula e mantido no Governo Dilma, será posto à prova após a saída do principal alicerce que sustentava as votações na Câmara dos Deputados e Senado Federal.

“A situação é evidentemente muito delicada, isso é inegável. A saída do PMDB do governo provoca esse abalo e pode levar outros setores”, ponderou a professora.

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Esse esfacelamento pode ser visto já nos próximos dias. O PSD, um dos partidos da base aliada, já liberou seus deputados e senadores na votação do impeachment. O PP tomou a mesma decisão, ainda com um agravante maior: vai realizar uma convenção nacional do partido, ainda sem data, para decidir se também desembarca do Governo.

O PR é outro partido da base que já liberou sua bancada para a votação do impeachment, porém, ainda não tomou a decisão quanto desembarcar formalmente do Governo como fez o PMDB.

“Ele (PMDB) não está desembarcando do Governo, ele está desembarcando da governabilidade, e isso é muito mais grave”, condenou Segurado.

Futuro do Governo Dilma

Quanto à possibilidade de não ocorrer o impeachment da presidente Dilma e a necessidade de governar o país, a professora Rosemary Segurado pondera:

“Na possibilidade do impeachment não passar e do governo continuar, eu acho que vai ser um momento de recomposição total, o governo vai ter que pensar muito nessa composição. Quem ele vai chamar, quem são aliados de fato de um projeto político, um projeto que precisa de uma governabilidade para ser bancado”.

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Questionada sobre a possibilidade do PMDB tentar retomar o diálogo após uma recusa do impeachment e a continuidade do Governo Dilma, a professora alertou:

“Seria muito inescrupuloso por parte do PMDB querer voltar, e também seria bastante vergonhosa a posição do governo aceitar como se nada tivesse acontecido”.

A cientista política acredita em uma volta de bandeiras históricas e a reaproximação de movimentos sociais se o impeachment não passar na Câmara e Senado. Segundo ela, será necessário um amplo diálogo e “de fato (o PT) fazer um governo popular, progressista e que avance na organização da sociedade”.

Em um cenário idealizado, Segurado espera que após esse turbilhão seja possível realizar uma reforma política e uma Constituinte, como a de 88, dessa vez com um debate social mais amplo, após a democracia sair fortalecida depois de ser posta à prova. #Michel Temer #Dentro da política