O Supremo Tribunal Federal escolheu a ministra Rosa Weber para ser a relatora do pedido feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, e também por juristas e advogados que defendem o ex-presidente da República, para que o caso de Lula não siga sob a liderança investigativa do juiz Sérgio Moro na Operação #Lava Jato em Curitiba.

O pedido feito ao STF solicita a anulação da decisão do ministro Gilmar Mendes, que, além de barrar a posse de Lula como novo ministro chefe da Casa Civil, também determinou o retorno das investigações sobre o ex-presidente para às mãos de Moro.

Entre os inúmeros grampos telefônicos feitos pela Operação Lava Jato, e divulgado para a imprensa pelo juiz Sérgio Moro, em conversas realizadas nas últimas semanas envolvendo o ex-presidente Lula, em uma delas, o mesmo cita a ministra Rosa Weber em conversa com Jaques Wagner, então ministro chefe da Casa Civil na ocasião (agora chefe de gabinete da Presidência, cargo que ganhou status de ministro).

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Na gravação, Lula pede para Wagner falar com a presidenta da República Dilma Rousseff sobre “o negócio da Rosa Weber”. “Está na mão dela para decidir”, conclui Lula no áudio divulgado.

A princípio, o pedido elaborado pela defesa de Lula foi enviado ao ministro Luiz Edson Fachin, no entanto, este recusou e encaminhou o pedido para a presidência do STF, alegando ser “suspeito” para relatar o caso, devido ser padrinho da filha de um dos juristas que assinaram o pedido em defesa do ex-presidente petista. Ao todo, seis juristas e três advogados assinaram a petição para evitar que o caso de Lula volte à supervisão de Moro.

Segundo publicação do jornal Folha de São Paulo, corre nos bastidores em Brasília que integrantes do Governo e líderes representantes do PT temem que o juiz Sérgio Moro possa tentar prender Lula nos próximos dias, caso ele não seja empossado como ministro, e, com isso, não obtenha foro privilegiado.

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A defesa de Lula alega que Moro deu indícios de que não está sendo imparcial no comando das investigações, e que está criando uma espécie de perseguição ao ex-presidente, com o intuito de criminalizá-lo para a sociedade, como no caso da condução coercitiva e dos áudios disponibilizados para a imprensa.

Cientista político avalia escolha de Rosa Weber

Para o cientista político Jorge Gomes, por ter sido citada em um dos áudios grampeados de Lula, a ministra Rosa Weber terá uma pressão muito grande em torno da sua ação como relatora do pedido da defesa do ex-presidente.

“Não tenha dúvida que a pressão será grande em cima dela, devido o seu nome ter sido citado na gravação grampeada de Lula. A oposição não vai dá folga e vai tentar pressionar a ministra Rosa Weber para que ela não se submeta às pressões do governo. Uma decisão favorável a Lula pode gerar insinuações da oposição, o que pode acirrar, ainda mais, as manifestações das ruas (pró e contra Governo). Achei que não foi uma escolha coerente do STF.

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Existem outros ministros que poderiam pegar esse caso.”

“Com relação à decisão de Gilmar Mendes de barrar a posse de Lula como ministro chefe da Casa Civil e ‘devolvê-lo’ ao juiz Sérgio Moro, trata-se de um caso claro de posicionamento político. Quem acompanha política sabe que Mendes nunca se ‘bicou’ com o PT. Além disso, ele se antecipou a uma decisão que cabia ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato, e não imediatamente a ele, o que gera a suspeita dos defensores de Lula de que Gilmar Mendes estraria tramando contra o ex-presidente. Em se tratando de política, nada pode ser descartado.”

“Por fim, acho que a defesa de Lula está certa em agir em prol do ex-presidente e de tentar protegê-lo de uma possível tentativa de trama contra o mesmo, mas acredito que a Justiça deva ter a sua liberdade para continuar as investigações, sem interferências partidárias. Não sei se isso será possível, sobretudo, em um país corrupto como o nosso, mas é o que temos que cobrar agora. Menos partidarismo e mais imparcialidade judicial.”, conclui Gomes. #Crise no Brasil