A sexta-feira, 04/03, começou com o mandado de condução coercitiva do ex-presidente #Lula pelo juiz Sergio Moro. Lula não havia sequer recebido uma intimação anterior. Prestou mais de 3 horas de depoimento à Polícia Federal e foi para o diretório nacional do PT, onde fez um longo discurso sobre sua vida pessoal e sua atuação como presidente. Referiu-se à ação como "um espetáculo de pirotecnia", lamentou que uma parcela do poder judiciário brasileiro esteja trabalhando em associação com a imprensa, falou sobre a subversão de se criar o criminoso para depois inventar o crime e se mostrou inconformado com a perseguição contra seus filhos. Falou do conservadorismo da elite brasileira, que se revolta com a ascensão dos pobres, denunciou os opositores de cercearem a liberdade de Dilma e, magoado, disse que não abaixará a cabeça.

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Pediu à CUT, ao PT, aos sem terra e ao PCdoB que o convidem, pois está disposto a retomar suas andanças pelo país. Falou das perseguições que sempre sofreu e, em um momento de maior exaltação, disse que seus opositores devem pensar que "todo mundo pode, menos essa merda de metalúrgico". Terminou dizendo que "se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca tá bem viva!" Foi ovacionado pelos companheiros de partido.

No final da tarde, Dilma manifestou inconformismo com a condução coercitiva e alertou que no ambiente republicano e democrático direitos individuais devem ser respeitados e que providências legais jamais devem implicar em ações mais graves do que os fatos que as motivam.

Ao longo do dia, vários personagens do cenário político e jurídico brasileiro se manifestaram.

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A deputada Jandira Feghali, do PCdoB, postou um vídeo no Facebook, indignada com o que chamou de "o maior ato de exceção da República". O mesmo fez o senador Lindbergh Farias, do PT, chamando o povo brasileiro às ruas em defesa do "maior presidente que este país já teve". O deputado federal pelo PT Wadih Damous convocou a sociedade a se organizar em uma resistência, porque "golpe de Estado não se assiste de braços cruzados".

O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, criticou duramente, em entrevista à Agência O Globo, a ação autorizada por Moro. Disse que só se concede condução coercitiva se o intimado se recusar a comparecer e que "justiçamento" não se coaduna com a Constituição. Celso Bandeira de Mello, professor de direito administrativo da PUC-SP, em entrevista à Brasil de Fato, afirmou que a condução coercitiva é uma violência, que foi cometida uma "ilegalidade grosseira" e que se nós estivéssemos em um Estado de Direito, o responsável sofreria uma sanção por ter desorbitado na sua competência, mas que entende que não estamos vivendo uma normalidade e que "quando acaba o Estado de Direito, tudo pode acontecer."

Em todo o Brasil ocorreram manifestações a favor e contra Lula e o #Governo Dilma.

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Em alguns momentos, houveram agressões entre manifestantes. O fato é que Lula começou o dia sendo conduzido à força para prestar um depoimento, mobilizou a militância do país inteiro, e terminou o dia candidato. Tiro no pé da oposição.

Sergio Moro tentou justificar a "violência" contra Lula alegando que a intenção foi protegê-lo de possíveis manifestações contrárias a ele. #Lava Jato