As revelações da ex-funcionária da Odebrecht, Maria Lúcia Tavares, ao portal UOL, mostraram que o complexo esquema de distribuição de propinas a políticos e agentes públicos, estava em pleno funcionamento desde o sucessor de Tancredo Neves na presidência da República, José Sarney, que governou  entre 1985 e 1990. O portal teve acesso a documentos que estavam em poder da mesma e que comprovaram a existência de uma lista, semelhante a que foi encontrada na semana passada, pela Lava Jato. Nela, constam cerca de mais de 500 nomes de políticos e funcionários, ligados ao #Governo e que foram beneficiados com a distribuição de propina pela empresa, para vencer licitações de obras públicas durante o mandato dos ex-presidentes.

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A empresa mantinha um departamento exclusivo de distribuição das propinas

Segundo as investigações, a Odebrecht mantinha um departamento interno que era responsável por coordenar os repasses aos parlamentares. Este fato foi confirmado após a decretação da vigésima sexta fase da Lava Jato, a operação Xepa.

As declarações da ex-funcionária da Odebrecht

Maria Lúcia Tavares, é ex-funcionária da Odebrecht, que está sob investigação da Lava Jato. Ela foi a responsável pela delação que comprovou a existência das listas de repasses de propinas. São cerca de 400 documentos, que foram guardados pela mesma, quando deixou a empresa. A maioria das informações contidas nesta lista são datadas do ano de 1988. Elas detalhavam os repasses feitos a políticos, com nomes e com codinomes.

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A ex-funcionária afirma que o esquema atual está mais organizado desde a época que começou a funcionar, ainda no governo de José Sarney. Ela admite que o repasse era feito em cima de porcentagens sobre o valor das obras. Os contratos eram superfaturados e a empresa calculava o montante a ser distribuído entre os políticos que participavam do "negócio".

Quais nomes constavam da lista ?

 A relação dos envolvidos inclui deputados, senadores, ex-ministros e integrantes do PMDB, PSDB e PFL (hoje, DEM). A lista faz parte de um documento sob o título de " Livro dos Códigos", que inclui também os codinomes, a exemplo da atual que foi divulgada.

Na listagem aparece o nome do atual lider do PSDB, na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), cujo codinome é " almofadinha". O parlamentar era presidente da Desenvale, no ano de 1980.A empresa coordenou as obras da barragem de Pedra do Cavalo, na Bahia. Na época, Imbassahy era filiado ao PFL

Outro citado foi o atual prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), que aparece com o apelido de "Arvir".

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Na lista constam nomes como os dos senadores do PMDB, Jáder Barbalho, conhecido como " Whisky" e de Edison Lobão, sob a alcunha de "Sonlo". O ex-presidente Collor aparece como beneficiado, com o apelido de "Mel", na construção de um emissário submarino, em 1980, quando ele era governador de Alagoas. Outros que foram citados são os filhos do ex-presidente José Sarney, José Filho e Fernando, com os codinomes de " Filhote" e " Filhão", respectivamente. Já Roseana Sarney, aparece como " princesa". 

Além de políticos, constam o nome atual presidente do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz, citado como " Toldo", que na época era presidente da Companhia de Engenharia Rural da Bahia e Secretário de Recursos Hídricos e Irrigação do mesmo estado. Ele aparece como beneficiário de obras de uma adutora. #PT #Corrupção