A transcrição do depoimento dado pelo ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, no dia 4 de março, em ação coercitiva na 24ª fase da Operação #Lava Jato, foi disponibilizada na íntegra no sistema da #Polícia Federal.

Nas 109 páginas publicadas, Lula afirmou ao delegado de polícia que é inocente, e que as ações contra sua pessoa são uma “sacanagem homérica”, declarando: “Eu espero que quando terminar isso aqui alguém peça desculpas. Alguém fale: ‘Desculpa, pelo amor de Deus, foi um engano’”.

O ex-presidente afirmou também que esteve sim no triplex localizado no Guarujá, mas que não se interessou pelo imóvel: “Quando eu fui a primeira vez, eu disse ao Léo (Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, que foi condenado pelo esquema de corrupção na Petrobras) que o prédio era inadequado, porque além de ser pequeno, um triplex de 215 metros (quadrados) é um tríplex ‘Minha Casa, Minha Vida’, era pequeno”.

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Lula disse no depoimento que se sentia injustiçado e perseguido, e que estariam tentando ligá-lo a um crime que não teria cometido: “Eu acho que eu estou participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil, porque eu tenho um apartamento que não é meu, eu não paguei, estou querendo receber o dinheiro que paguei, um procurador disse que é meu, a Veja diz que é meu, a Folha diz que é meu, a Polícia Federal inventa a história do triplex que foi uma sacanagem homérica, inventa história de triplex, inventa a história de uma offshore (empresa aberta em um paraíso fiscal) do Panamá que veio pra cá, que tinha vendido o prédio, toda uma história pra tentar me ligar à Lava Jato, porque foi essa a história do triplex”.  

Palavras de baixo calão e retorno à presidência

Em outro trecho do depoimento, Lula usa de palavras de baixo calão ao dizer que estão tentando fazer com ele o que foi feito com os condenados do escândalo do Mensalão, que não podiam sequer frequentar restaurantes sem serem hostilizados pela população, e alegando ainda que sua esposa não deveria prestar qualquer depoimento sobre o triplex: “É o que estão tentando fazer comigo agora, só que o que estão tentando fazer comigo vai fazer com que eu mude de posição, eu que estou velhinho, estava querendo descansar, vou ser candidato à Presidência em 2018 porque acho que muita gente que fez desaforo pra mim, vai aguentar desaforo daqui pra frente. Vão ter que ter coragem de me tornar inelegível. Porque, é o seguinte, eu tenho uma história da vida, eu tenho uma história de vida, a minha mulher com 11 anos de idade já trabalhava de empregada doméstica e minha mulher prestar um depoimento sobre uma porra de um apartamento que não é nosso? Manda o procurador vir prestar depoimento, a mãe dele. Por que minha mulher?”