O Deputado Estadual Rogério Correia, do PT, falou, na sexta-feira, 11/03, na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sobre a adesão irrefletida a manifestações. Antes dele, o Procurador de Justiça do Ministério Público de MG, Jacson Campomizzi, apoiou a democracia e repudiou qualquer tipo de golpe. Referindo-se aos últimos acontecimentos em torno de Lula, criticou a parcialidade do MP de São Paulo, que disse estar a serviço de uma "gente antidemocrática, favorável ao golpe, partidária". Disse repudiar, como toda classe jurídica sensata, "esse ato insano daqueles poucos colegas do MP de São Paulo, que apenas mancham a reputação da nossa instituição."

Rogério Correia, tocado pela fala do procurador, acrescentou que as ações contra Lula se deram, propositadamente, às vésperas da convocação do ato pelo que ele chama de golpe.

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"Isso é para por fogo no país" - afirmou. Considerou descabidos os recentes rumores de uma renúncia de Dilma, pois uma mulher que não se curvou à ditadura, não renunciaria agora. Questionando se as ações contra ela têm a intenção de levá-la ao suicídio, comparou sua história à de Getúlio Vargas, combatido por fazer um governo popular, que instituiu CLT, carteira assinada e décimo terceiro. Lembrou da campanha do jornal "O Globo" contra Getúlio, que se acirrou depois da criação do décimo terceiro, quando a manchete de capa do jornal foi: "O décimo terceiro é o fim do Brasil". O deputado Rogério Correia contou que o jornal colocou seus carros nas ruas do Rio de Janeiro para acusar o presidente de corrupto. Após o suicídio, os carros foram apedrejados e virados pelos que amavam o presidente.

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"Hoje o fim do Brasil é o aumento do salário mínimo", disse o deputado, ironizando. Garantiu que Dilma Rousseff não vai se suicidar, nem renunciar, e que é necessário que as elites brasileiras e os partidos políticos compreendam que não há mais, no Brasil, condições de um golpe sem que haja uma reação do povo. Falou que há um trabalho para que as coisas se resolvam de forma pacífica e citou a nota da CNBB, publicada em 10/03, que pede calma e alerta sobre a obrigação de todos garantirem a governabilidade, que é sinal de democracia. Acrescentou que num país sem estabilidade, a democracia está em risco, a lei não é mais para todos e instala-se o caos. Criticou a postura de Aécio Neves, que vê como um Nero querendo atear fogo em tudo.

O deputado pediu aos verdadeiros democratas de todos os partidos que se unam, porque, quando a democracia sofre um golpe, ele atinge a todos, até a seus apoiadores, e ela "não vinga mais".  Explicou que, após um golpe há resistência; e após a resistência há repressão, e isso atinge a todos.

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Lembrou que na democracia prevalece o combinado e que não vale a pena romper com isso. Sugeriu como saída democrática para a insatisfação geral uma constituinte democraticamente eleita exclusivamente para realizar a reforma política eleitoral e institucional. E disse que nunca deu certo, no mundo todo, tirar o poder de decisão do povo, porque instaura-se o autoritarismo. Lamentou corrermos esse risco no Brasil, no século XXI.

Por fim, o deputado pediu reflexão aos que têm intenção de ir à #Manifestação neste domingo: "Não saia de casa no dia 13, a não ser que queira o golpe, aí tudo bem, saia de casa ciente que quer o golpe, mas se está insatisfeito por algum outro motivo, venha com a gente no dia 18, que será uma luta pela democracia e pra aprofundar as mudanças no Brasil." #Dilma Rousseff #Protestos no Brasil