A tarde da quinta-feira, 10/03, começou com uma entrevista coletiva do Ministério Público de São Paulo para a imprensa, sobre sua denúncia de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro contra o ex-presidente #Lula. Os promotores falaram sobre os motivos que os levaram a denunciar Lula. Segundo o MP, há provas suficientes de que Lula foi beneficiado com o triplex no Guarujá, apuradas ao longo de uma investigação iniciada há 6 anos sobre irregularidades na transferência de empreendimentos da Bancoop para a OAS, hoje investigada na Operação #Lava Jato. Segundo o MP, o dinheiro que deveria ter sido ter empregado na construção dos imóveis foi desviado para campanhas do PT, prejudicando 6 mil cooperados.

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O MP esclareceu que a denúncia não está atrelada à operação Lava Jato, embora tenha o mesmo apartamento como objeto.  

No início da tarde não se sabia que, junto à denúncia, havia também um pedido de prisão preventiva de Lula, com a alegação de que ele poderia se evadir do país e de que tem usado seu poder de líder político para incitar seus apoiadores a manifestações violentas contra o Ministério Público. O MP se apoia no que ocorreu quando Lula, após ter sido conduzido coercitivamente para depor à #Polícia Federal, convocou uma coletiva, se disse magoado e sinalizou considerar a hipótese de se candidatar à presidência em 2018. Na ocasião, manifestações a favor de Lula em vários pontos do país evidenciaram sua força como líder político.  

Enquanto acontecia a coletiva do Ministério Público, lideranças petistas se reuniam em um hotel da capital paulista.

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Houve uma grande movimentação de jornalistas no local. Lula chegou discretamente e não se pronunciou, mas publicou uma nota esclarecendo que a reunião fora previamente marcada, não se tratando de nada referente à denuncia do MP.

Após a reunião, Rui Falcão, presidente do PT, reiterou a nota de Lula, disse que o assunto da reunião fora economia e, sobre a denúncia, disse que não há provas suficientes para denunciar o ex-presidente, nem motivos para pedir sua prisão preventiva. Considerou a ação do MP condizente com ações anteriores do promotor, que denunciara o ex-presidente sem provas. Qualificou o pedido como "tresloucado" e se disse confiante no indeferimento da juíza.

O Instituto Lula publicou nota afirmando que Cássio Conserino, o promotor que pede a prisão preventiva de Lula, não é o promotor natural do caso, tem documentos que atestam que Lula não cometeu qualquer ilegalidade e está usando seu cargo com finalidades políticas. A defesa de Lula disse que esse pedido remonta à ditadura, por ser "uma tentativa de amordaçar alguém por emitir opinião".

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 A revista Brasil de Fato consultou o jurista da Universidade de São Paulo, Dalmo Dallari, sobre o pedido de prisão preventiva de Lula. Dallari disse considerar o pedido "totalmente absurdo", por não possuir fundamentação jurídica, e que vê nele "um ato político e nada mais", o que desmoraliza o Ministério Público. Disse ainda que, se a juíza acatá-lo, caberá um habeas corpus, que pode ser pedido pela OAB ou até mesmo por qualquer cidadão.

O ex-presidente ainda não é réu no processo, só virá a ser se a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira acatar a denúncia, e ela não tem prazo definido para se posicionar.