Em coletiva emergencial à imprensa, a presidente Dilma se manifestou, nessa tarde de 11/03, sobre as ilações a respeito de um pedido de renúncia. Disse acreditar que ninguém tem direito de pedir a renúncia de alguém legitimamente eleito, sem dar elementos comprobatórios de que qualquer inciso da Constituição tenha, de alguma forma, sido ferido. Explicou que a renúncia é um ato voluntário e que os que desejam sua renúncia, assim desejam, justamente, por entender que não há uma base real para pedir seu impeachment. Aconselhou os desejosos de sua saída a agirem de acordo com a Constituição de 1988, que garante a independência dos poderes e a igualdade de direitos do cidadão, e que é resultado de um longo processo de resistência à ditadura.

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Dilma disse considerar que a onda de boatos que está acontecendo não contribui em nada e cria uma crise absolutamente negativa para a economia brasileira. Afirmou que o Brasil tem todas as condições de retomar o crescimento e de garantir o que já foi conquistado. Criticou os vazamentos seletivos e questionou o fato de a grande mídia não ter lembrado, em suas matérias, do arquivamento da questão de Pasadena. Disse acreditar que é preciso mais seriedade.

Sobre o pedido de prisão preventiva de Lula, feito pelo Ministério Público de São Paulo ontem, Dilma se mostrou indignada. Considera que isso ultrapassou todos os limites, que não existe base legal nenhuma, que estamos diante de um absoluto desrespeito à lei e à Constituição, e que é um absurdo que um país como o Brasil assista calmamente a um ato contra uma liderança política responsável por grandes transformações no país, e respeitada internacionalmente.

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Repudiou "em gênero, número e grau" o pedido.

Questionada sobre estar "resignada", reagiu enfaticamente. Disse ter enfrentado a ditadura, não ter "gênio" para se resignar e perguntou, em tom de brincadeira, aos jornalistas: "Vocês acham que eu tenho cara de quem tá resignada? Que eu tenho gênio de quem tá resignada?"

Pediu pacificação, calma e diálogo.

Quanto a ter #Lula como ministro, afirmou que isso seria um grande orgulho para ela, por vários motivos e também por sua capacidade de gerenciamento, mas se negou a discutir essa questão com a imprensa.

Perguntada sobre o que deve acontecer amanhã na convenção do PMDB, partido dividido quanto ao apoio ao seu governo, pediu que os jornalistas esperassem pelos acontecimentos, em lugar de ficarem fazendo "exercícios de futurologia".

Repudiou também os rumores sobre a saída do Ministro Nelson Barbosa, dizendo ser isso apenas uma tentativa de enfraquecimento dele. Segundo Dilma, "ele não sai do ministério". A presidente considera críticas  normais em um processo democrático.

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Como faz sempre que há oportunidade, defendeu o direito à livre manifestação, também presente na Constituição, por ser uma séria conquista da democracia. No final da coletiva houve até certo clima de descontração e Dilma encerrou reiterando o que dissera inicialmente: "eu não tenho cara de quem vai renunciar".    #PT #Dilma Rousseff