Com o país em convulsão, em um cenário político que poucas vezes na história esteve tão atribulado, o ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, surge como o protagonista de um acirrado debate acerca do futuro do #Governo. Nesta quinta-feira (17), ele tomou posse como ministro da Casa do Civil do governo Dilma Rousseff, o que lhe concede foro privilegiado e transfere ao STF a responsabilidade de julgar o seu envolvimento na Operação Lava Jato.

No entanto, a estratégia governista não se mostrou acertada. Horas depois da nomeação de Lula, o juiz do Distrito Federal, Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara, suspendeu via liminar a posse do ex-presidente.

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Mesmo com os recursos apresentados pelo governo, Lula segue impossibilitado de assumir como ministro. Nas ruas, as manifestações tomam conta das principais capitas desde quinta-feira, sobretudo após os vazamentos possibilitados pela Polícia Federal que mostram Lula tendo diálogos comprometedores com Dilma Rousseff, Eduardo Paes, entre outros.

Para Dilma e Lula, o cenário político, no momento, não é favorável. No mesmo passo, a Justiça não dá mostras de que aceitará facilmente a nomeação do ex-presidente como ministro sendo ele alvo de vários processos por corrupção. Mas, de acordo com análise feita pelo cientista político Leandro Piquet, Lula terá absolutamente todo o poder do governo nas mãos caso o "plano" não dê errado.

"Lula como ministro da Casa Civil tentará controlar o caráter errático e intempestivo da presidente Dilma.

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Irá negociar com o Congresso, irá reformular a política econômica e expulsará do governo todos os seus inimigos dilmistas, que não são poucos. Em pouco tempo, o poder de fato estará em suas mãos. É claro que esse plano pode dar errado", avaliou Piquet, que também é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e apoiador do Centro de Liderança Pública (CLP).

Em #entrevista concedida com exclusividade à Blasting News Brasil, Piquet sinalizou com a possibilidade de que a entrada de Lula no governo é uma vitória do próprio Partido dos Trabalhadores (PT) contra a presidente Dilma Rousseff. Na visão do analista político, a alta cúpula da sigla está convicta de que, no momento, é preciso limitar ao máximo o poder de decisão de Dilma. Com Lula ao seu lado, suas palavras e seus atos perderiam força.

"Eu interpreto essa nomeação do ex-presidente como uma vitória do PT e do Lula sobre o governo da presidente Dilma. Lula tem menos ideias próprias do que Dilma, e deu provas ao longo de sua longa carreira política de que sabe escolher melhor quais ideias funcionam em cada situação.

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Acho que mesmo no PT há uma visão clara de que é necessário limitar imediatamente o poder decisório da presidente Dilma", comentou.

Ainda não há uma definição judicial se Lula, de fato, poderá ser ministro. Mesmo assim, Dilma já rearranja o seu governo em direção à Casa Civil. Nesta quinta, ela transferiu a secretaria do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Planejamento para a pasta em que o ex-presidente foi nomeado. Mais do que um "superministro": será a caneta de Lula que terá mais tinta no Palácio do Planalto.