Uma conversa telefônica que foi grampeada pela Polícia Federal, após autorização judicial, foi divulgada hoje pelos investigadores da operação Lava Jato e mostra o presidente do #PT, Rui Falcão em conversa com o ex-ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Durante a gravação, o líder petista informa a Wagner sobre o pedido de prisão preventiva de Lula, feito pelo Ministério Público de São Paulo. O mesmo foi emitido durante as investigações sobre as suspeitas de que o ex-presidente pudesse estar ocultando o fato de ser o verdadeiro dono do sítio em Atibaia e do triplex no Guarujá.

No diálogo entre os dois petistas, Rui Falcão deixa transparecer a sua preocupação sobre o risco que #Lula correria de ter a prisão decretada pela juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da quarta Vara Criminal de São Paulo.

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O presidente do PT pede que o ex-ministro tome algum tipo de iniciativa.

"— O louco do Conserino aqui pediu a preventiva do Lula. (...) Alguma iniciativa vocês precisam tomar. Porque tá na mão de uma juíza da quarta vara que não sabe quando toma decisão, mas pode tomar decisão hoje" —  apelou o petista.

As conversas foram gravadas no último dia 10, no mesmo dia em que o pedido foi feito pelos promotores Cássio Conserino, Fernando Henrique Araújo e José Carlo Blat. Embora o fato a seguir tenha sido negado publicamente pelo próprio Instituto Lula, após a solicitação da justiça, foi convocada uma reunião de emergência com todos os deputados e integrantes do partido para discutir tal situação. O ex-presidente Lula estava presente nesta ocasião. Após a divulgação do diálogo, pode-se deduzir qual o real motivo para tal convocação de urgência.

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Rui Falcão e Jaques Wagner deixam bastante claro, nas conversas, a necessidade imediata de que Lula aceitasse o cargo de ministro. Tal possibilidade evitaria que o ex-presidente pudesse ter a prisão decretada. Este era o maior medo do líder petista. Além disso, o próprio Rui Falcão revelou a estratégia de evitar, na base da força, uma eventual prisão, caso a mesma fosse previamente decretada. "Tamo chamando deputado", declarou Rui ao ministro de Dilma.

Em outro trecho, o dirigente declara que todos estavam fazendo pressão para que Lula concordasse com a nomeação.

"— Não, mas nós "tamo", todo mundo pressionou ele aqui. Fernando Haddad, todo movimento sindical, todo mundo" — afirmou Falcão.

A divugação do teor das conversas telefônicas desmente, de forma irreversível, a versão divulgada pelo #Governo de que a ida de Lula para a Casa Civil, seria uma tentativa de tentar recompor a base política do governo e assim, evitar o processo de impeachment de Dilma.

Em nota, as assessorias de Jaques Wagner e Rui Falcão tentam justificar o teor das conversas divulgadas.

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Mais uma vez, eles negam o fato de que Lula tenha ido para o governo para obter foro privilegiado no STF. Apesar disso, reconhecem que o ex-presidente foi bastante pressionado para aceitar o cargo e que o mesmo sempre se mostrou resistente desde o início. Eles justificaram que o diálogo foi necessário para que o partido e todos os seus aliados pudessem tomar a dianteira na defesa do líder petista.