Preso desde junho de 2015, acusado de associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, Marcelo Odebrecht, ex-presidente da maior construtora brasileira, foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 19 anos e 4 meses de prisão. A mesma pena foi dada a dois ex-diretores da Odebrecht, Márcio Faria e Rogério Araújo. Foi também estabelecida uma multa no valor de R$ 108.809.565,00 e mais 35 milhões de dólares, a ser paga pelos executivos ligados à empresa e Renato Duque, ex-funcionário da Petrobras. De acordo com Moro, este valor seria o mínimo aceitável para indenizar a estatal pelos crimes cometidos.

Até agora Marcelo se negou a fazer acordo de delação, porém, com a condenação, especula-se que decidirá contar o que sabe.

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Além dele, outros ex-funcionários da Odebrecht, também condenados, ameaçam fazer o acordo. Para que seja válida a delação, Marcelo deverá apresentar novos fatos e provas, e é aí que entra o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.

Lula, que está sendo investigado por tráfico de influência no Brasil e no exterior, envolvendo a Odebrecht e outras empreiteiras, crime que teria sido praticado durante seu mandato, e é suspeito de ter recebido vantagens indevidas durante e depois que deixou a presidência, mais uma vez pediu que sejam retiradas as acusações. Já para Dilma o problema se concentra nas doações de campanha, em torno de 16 milhões de reais, dinheiro lavado, que seria proveniente da Petrobras.

O que já foi provado

Em nove meses de investigação, a Operação #Lava Jato reuniu provas sobre a atuação de Lula junto a Odebrecht.

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João Santana, conselheiro e marqueteiro de Lula e Dilma, foi pago "por fora", por ordens diretas de Marcelo. Também o esquema de pagamento de propina com a finalidade de obter contratos da Petrobras foi comprovado.

O que faria Marcelo Odebrecht mudar de ideia

Depois que o Superior Tribunal Federal mudou as regras, acordos de delação premiada passaram a ter ainda mais importância. A partir de agora, o condenado em segunda instância já começa a cumprir pena, mesmo antes de serem julgados outros recursos na Suprema Corte.

Caso mude de ideia, o que Marcelo tem a dizer pode ser a enxurrada que faltava para levar consigo o governo e o ex-presidente.