Investigadores da Operação #Lava Jato encontraram planilhas de pagamentos feitos pela empreiteira Odebrecht a mais de 200 políticos brasileiros, de 18 partidos. O documento foi apreendido pela Polícia Federal em fevereiro deste ano, junto com outros arquivos durante a 23ª fase da Lava Jato, contudo, somente agora foi analisado pela investigação criminal.

De acordo com as planilhas encontradas, os pagamentos foram feitos durante as campanhas eleitorais de 2012 e 2014. No entanto, segundo os investigadores, ainda não é possível garantir que os pagamentos se tratam de doações eleitorais ou mesmo de propinas.

A 23ª fase da Operação Lava Jato ficou conhecida como “Acarajé”, e teve como objetivo principal prender o marqueteiro João Santana e sua esposa Mônica Moura, responsáveis pelas campanhas de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), ambos do PT.

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O casal se encontra preso no presídio de segurança máxima em Curitiba.

Dentre os mais de 200 nomes de políticos encontrados nas planilhas, estão o do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Aparece também nas listas o nome do ex-governador de Pernambuco, e candidato a presidência da República em 2014, Eduardo Campos (PSB), morto em um acidente aéreo na cidade de Santos-SP, em agosto do mesmo ano.

As planilhas da Odebrecht também incluem pagamentos a um determinado grupo de políticos que o documento chama de “Parceiros Históricos”. Dentre estes, estão nomes importantes do cenário político contemporâneo do país, como o do ex-presidente da República José Sarney (1985-1989), e dos senadores Romero Jucá e Renan Calheiros, atual presidente do Senado, ambos do PMDB.

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Apesar da divulgação para a imprensa, o juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato pela justiça do Paraná, já recolheu o documento e decretou sigilo sobre o andamento da investigação sobre os envolvidos.

“Doações ou propinas sempre existiram na política brasileira, só nunca antes foram tão escancaradas pela mídia”, diz historiador

Para o historiador João Marcos dos Santos, é preciso saber diferenciar uma doação eleitoral de uma propina; e que a divulgação das planilhas para a imprensa foi mais um erro de condução da Operação Lava Jato.

“Doações ou propinas sempre existiram na política brasileira, só nunca antes foram tão escancaradas pela mídia. A doação por parte de uma empresa para uma campanha política é legal, desde que obedeça à Constituição. Ela existe desde que o sistema republicano foi implantado no Brasil em 1889. O problema é que as propinas sempre existiram. Por isso é importante saber diferenciar uma da outra. A propina acontece quando políticos recebem pagamentos escusos, por meio de sistemas de #Corrupção.

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A doação é feita para ajudar o partido a realizar sua campanha durante o ano eleitoral e não pode gerar benefícios futuros para o financiador.”, explica.

“A divulgação das planilhas com nomes dos políticos que receberam pagamentos da Odebrecht foi mais um erro de condução do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato. Isso porque, tal divulgação só poderia ter sido feita após a conclusão das investigações, ou seja, quando já se tivesse a certeza de quem recebeu pagamento de forma legal e de quem recebeu propina. A divulgação precoce da lista expõe todos ao pré-julgamento da opinião pública, que nestes casos pode se configurar de forma injusta, como muitas vezes já aconteceu na história política deste país.”, conclui o historiador. #Crise no Brasil