Com a admissibilidade do processo contra o presidente da Câmara dos Deputados, #Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética, no início da madrugada desta quarta-feira (2), se encerra um dos momentos mais constrangedores da Casa Legislativa. Com uma série impressionante de manobras, Cunha conseguiu arrastar desde o dia 3 de novembro o processo contra ele. Mas de onde vêm tantos artifícios e manobras?

Eduardo Cunha não é um dos parlamentares mais antigos da Casa, ele está lá desde 2007, e também não possuía uma carreira política consolidada antes de chegar a Câmara, havia sido apenas deputado estadual pelo Rio de Janeiro entre 2001 e 2003.

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Mas, pelo que parece, Cunha é um bom aluno e conseguiu absorver tudo que precisava para colocar em prática quando lhe coubesse. A fama de “rei da manobra” e “mago do regimento”, como é conhecido nos bastidores da Câmara se acentuou nos últimos dois anos, quanto Eduardo Cunha assumiu papel de protagonista no cenário nacional.

Onde começou

Cunha não possui nenhuma formação em direito, ele é graduado em economia pela Universidade Cândido Mendes na década de 80. Por essa falta de conhecimento teórico, o presidente da Câmara precisou correr atrás um pouco mais. Quando era líder da bancada do PMDB na Câmara entre 2013 e 2014, era comum ele levar material para estudar a noite em casa. Também era fácil de se observar já naquela época a firmeza com que debatia sobre assuntos ligados ao regimento interno da Câmara.

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Esse período em que foi vice-líder e líder da bancada do PMDB serviu para Cunha estreitasse os laços com seus pares e dominasse o regimento. Adsmar Freira, assessor parlamentar com 43 anos de experiência na Câmara dos Deputados, trabalhou com Cunha quando ele era líder do PMDB. Segundo disse, um de seus diferenciais era uma “pastinha” que carregava consigo, nela continha diversos documentos, de PECs, MPs, emendas, um apanhado de informações.

Atual secretário-geral da Mesa Diretora, Silvio Silva, afirma que Cunha “conhece todos os atalhos que o regimento dá”.

Articulações famosas

Tentar barrar ou atrasar ao máximo o processo contra si no Conselho de Ética não foi o primeiro momento que Cunha colocou em prática seu conhecimento do regimento. A votação dupla da PEC da maioridade penal ainda não foi esquecida por seus opositores. Em uma votação ele viu um de seus carros chefes ser recusado em plenário, com algumas mudanças no texto, ele colocou a PEC em votação no dia seguinte, conseguindo a aprovação.

Outra famosa votação articulada por Cunha foi sobre a reforma política. Após a proposta que liberava a doação de empresários para partidos e políticos ser rejeitada, o presidente conseguiu um arranjo com o PSDB e a colocou em votação novamente no dia seguinte, sendo liberada a doação apenas para partidos.