Em Avaré, interior de São Paulo, uma vereadora conquistou o direito de ser tratada de acordo com seu gênero ao conquistar o direito ao uso de seu nome social. A conquista garante que ela passe a ser tratada como mulher em documentos oficiais, incluindo na Câmara Municipal, onde, até então, continuava sendo tratada como pertencente ao gênero masculino.

Nascida como Eduardo David Cortez, ela passa agora a se chamar Victória Cortez, devendo ser tratada como vereadora, e não mais vereador, como vinha ocorrendo até então.

O fato não é considerado apenas uma conquista de Victória Cortez, mas também é comemorado por toda comunidade de homens e mulheres trans do município e, obviamente, de todo país.

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Como a questão ainda é tratada como tabu, e as pessoas trans, em sua maioria, ainda sofrem muito preconceito e acabam sendo vítimas de violência, defensores dos direitos das pessoas trans acreditam que a existência de exemplos de transgêneros em posições consideradas importantes e de influência, ajudem a diminuir o preconceito.

VIDA POLÍTICA

Victória concorreu nas eleições de 2012 pelo PP (Partido Progressista), porém, à época, ainda não havia revelado sua transgeneridade, concorrendo, então, como David Cortez. 

Apesar de não ter alcançado votos suficientes para se eleger, David acabou se tornando suplente, assumindo como vereador em novembro de 2013, após a morte de outro suplente, chamado Marcelo Chebra.

É preciso destacar que, ironicamente, o cargo de origem pertencia ao ex-vereador Rodivaldo Rípoli, eleito em 2012, mas cassado em meados de 2013, por ter cometido um ato de homofobia.

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O início de transição de gênero da vereadora teve início por volta de 2014, e Victória já informou não haver ligação nenhuma entre sua transgeneridade e o cargo político que exerce.

Na Câmara local, além de defender políticas públicas voltadas à comunidade trans, ela também tem em sua pauta temas como a defesa dos animais, políticas que melhorem as condições de trabalho dos servidores municipais e também pleiteia que a Prefeitura avareense isente pessoas que possuam doenças crônicas (câncer, HIV, entre outras) do pagamento de IPTU.

Já, sua maior conquista é, sem dúvidas, ter conseguido alterar o regimento interno da Câmara, garantindo que vereadores e vereadoras possam se vestir de acordo com seu gênero, já que o texto antigo era direcionado às vestimentas de acordo com o sexo biológico dos parlamentares. Neste ano, ela deixou o PP e se filiou ao PTB, partido pelo qual deve disputar as eleições de outubro.

VIDA PESSOAL

Victória Cortez tem formação superior em Farmácia-Bioquímica, área na qual atuou por quase 10 anos. Além disso, ela também é body piercing e coiffeur no Centro de Beleza do qual é proprietária ao lado da esposa, pessoa com quem mantém um relacionamento muito antes de dar início a sua transição de gênero. #Comportamento #Blasting News Brasil