Primeiro foi o deputado Jean Wyllys, que se intitula o primeiro parlamentar gay assumido do Congresso Nacional, esquecendo-se do estilista Clodovil Hernandez. Depois, José de Abreu, o ator obcecado pelos holofotes da mídia que critica. Os dois expressaram o seu descontentamento com o comportamento de seus interlocutores com exuberantes cusparadas. O caso do deputado ocorreu no Congresso, no dia da votação da admissibilidade do #Impeachment da presidente Dilma Rousseff. O do ator se deu em ambiente mais ameno: um restaurante em São Paulo. Mas ambos, ocorridos em intervalo de poucos dias, mostram a que ponto chegou o debate político no país.

Não é de hoje

Não que em outras épocas acontecimentos bizarros – e até trágicos – não tivessem movimentado nossas elites políticas.

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Como lembra a revista The Economist na matéria em que analisa a situação brasileira, em 1963, o senador Arnon de Mello, pai do ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB-AL), atirou contra um arqui-inimigo. Uma reação violenta que acabou em tragédia: um senador morto. Mas não foi o inimigo de Arnon de Melo. O pai do nosso conhecido Fernando Collor, errou o alvo e acabou matando outro senador por engano.

Passagens menos trágicas, com situações envolvendo nossos políticos, foram transcritas em dois livros pelo jornalista Sebastião Nery, como prova de que frases de efeito, sentenças venenosas ou simplesmente bobagens sem nexo, não são coisas novas no nosso folclore político. Em um desses livros, Nery transcreve frases de personagens conhecidos como o ferino Agripino Grieco, Benedito Valadares ou José Maria Alkimin.

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Frases venenosas

Entre essas frases estão pérolas cheias de veneno. Exemplo? “O que é o batedor de carteira senão um banqueiro apressado?, chegou a perguntar Agripino. E ainda: “O Ataulfo de Paiva era tão medíocre, cabeça tão vazia, que quem comesse os miolos dele podia comungar”. Ele referia-se ao acadêmico que notabilizou-se por suas ações na área da saúde, principalmente por sua luta contra a tuberculose, e hoje empresta seu nome à importante avenida no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro.

Benedito Valadares, no mais puro estilo Dilma, teria dito em certa ocasião: “Lá em Minas, reflorestamento a gente faz com eucalipto, porque em dez anos já é uma árvore secular”. 

Alkimin, ladino, teria proferido a frase que nos faz lembrar as empreiteiras e “amigos” de políticos que andam pelos noticiários hoje em dia: “Bom não é ser governo. É ser amigo do governo.”

Como se vê, o folclore político brasileiro vem de longe. Mas a guerra de cusparadas parece mesmo ser uma inovação, invenção original de um ex-participante de reality show, logo seguida por um ator que gosta de aparecer.  Vai entrar para os anais das bobagens perpetradas por políticos e seus seguidores. #Câmara dos Deputados #Dentro da política