Escolhido como o relator da comissão que avaliará a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o senador do #PSDB mineiro Antônio Anastasia é alvo de processo do Ministério Público pelo rombo das contas da Saúde pública de Minas Gerais. O desvio foi efetuado quando Anastasia era o governador do estado (também consta a atuação de Aécio Neves no esquema). Segundo o MP, cerca de R$ 9,5 bilhões deixaram de ser aplicados no SUS local. Em valores atualizados, o rombo já passa dos R$ 14 bilhões.

De acordo com a investigação, o desvio era viabilizado por superfaturamento (por exemplo, inflar dados financeiros para o suposto cumprimento do mínimo estabelecido de investimento na saúde) e inclusões de serviços alheios à saúde pública, como tratamentos veterinários no canil da Polícia Militar do Estado (ao todo, foram incluídas vinte e nove despesas com animais e vegetais).

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O governo de Anastasia também considerou gastos com a saúde pública, segundo a denúncia, os investimentos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o que, segundo a própria empresa, é incorreto, já que tal dinheiro viria dos consumidores.

Anastasia também foi denunciado em 2015, pela operação Lava Jato. Embora o ministro do STF Teori Zavascki tenha arquivado o processo contra o senador, seguindo a sugestão do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, a Polícia Federal pediu pela continuidade das investigações, pois o arquivamento se deu antes do término da apuração das denúncias, que já contava com mais delações contra o ex-governador. 

A POLÊMICA NA COMISSÃO

Na opinião do PCdoB e do PT, a escolha de Anastasia para a relatoria do processo de impeachment na comissão do Senado contradiz as leis e é imoral, já que foi o PSDB que protocolou, ao lado de Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr.

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e Janaina Pascoal, o pedido de impedimento de Dilma Rousseff. 

Embora a comissão tenha maioria a favor do fim do governo petista, a função da relatoria é avaliar se é admissível o processo de impeachment por conta de pedaladas fiscais. Tendo como liderança um político da oposição profundamente ligado a Aécio Neves - derrotado nas eleições de 2014 -, o processo de admissibilidade ganha, assim como na Câmara dos Deputados, uma feição meramente política, fugindo totalmente das obrigações técnicas que um impeachment tem de ter. #Crise-de-governo