Que o deputado Jair Bolsonaro tem um gosto pela polêmica, já sabemos. Suas declarações controversas fazem parte de sua política, sob a justificativa da imunidade parlamentar. Aparentemente, não há limites para o que ele pode falar, algo que se comprovou em sua votação, no último domingo (17), a favor do #Impeachment da presidente.

Bolsonaro e seu filho, Eduardo, também deputado, dedicaram seus votos aos militares que destituíram o presidente João Goulart em 1964. Contudo, o primeiro foi mais além: parabenizou Eduardo Cunha e homenageou a memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI em São Paulo e notório torturador durante o regime militar.

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A menção a Ustra pode ser vista como provocação à presidente, uma vez que Bolsonaro ainda o caracterizou como "o pavor de Dilma Rousseff". Sua declaração resultou em indignação nas redes sociais, fazendo com que emergisse a história do coronel que, declarado pela Justiça como torturador, foi também acusado de perseguição, ameaça de morte e ocultamento de cadáver, estando relacionado a 60 casos de desaparecimento e morte em São Paulo. Entre os métodos usados por ele, além do pau de arara e eletrochoque, estava a prática de inserir ratos nos genitais das mulheres presas. Em suma, Ustra não é somente o pavor de Dilma, mas de toda uma nação submetida à ditadura.

Além de sua declaração a favor da tortura, o deputado disparou insultos pessoais a Jean Wyllys no momento em que este votava. Segundo Wyllys divulgou em sua própria página do Facebook, Bolsonaro gritava impropérios como "veado", "queima-rosca", "boiola", entre outros, durante o momento da votação e, ao se retirar, notando que alguém procurava agarrar seu braço - provavelmente Bolsonaro ou alguém que estivesse com ele -, virou-se e cuspiu em direção ao deputado que o havia provocado.

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As notórias tentativas de provocação de Jair Bolsonaro, diga-se de passagem, acontecem há bastante tempo, grande parte delas direcionadas aos homossexuais e, consequentemente, a Jean Wyllys, reconhecido por sua luta a favor das minorias e dos direitos LGBT.

Como foi o caso dos comentários de Bolsonaro, a reação de Wyllys também dividiu opiniões. Enquanto alguns acharam a cuspida um ato desmedido (como declarou o próprio Bolsonaro), outros se sentiram "de alma lavada" por essa que se tornou uma cusparada simbólica. #Câmara dos Deputados #Crise-de-governo