O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, apresentou na tarde de ontem (segunda-feira, 04), o discurso de defesa da presidenta da República #Dilma Rousseff (PT) contra o processo de #Impeachment na comissão especial da Câmara dos Deputados. Segundo trecho da fala discursada por Cardozo, o pedido de impeachment contra Dilma é um “erro histórico” na política deste país e que se trata, na verdade, de mais uma tentativa de “Golpe de Estado” no Brasil.

Além disso, José Eduardo Cardozo também defendeu com convicção a ideia de que um futuro governo de Michel Temer (ainda vice-presidente da República pelo PMDB), em consequência de um possível afastamento da presidenta Dilma Rousseff, enfrentará graves problemas, sobretudo, com a população, pois o mesmo não teria a legitimidade, conquistada com os votos nas urnas, para conduzir este país.

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Durante todo o seu discurso, Cardoso (que já foi ministro da Justiça do governo Dilma e é visto pelos especialistas em política como um dos principais aliados da presidenta atualmente no Palácio do Planalto), demonstrou certa segurança em sua fala e se expôs de forma contundente à defesa contrária ao impeachment.

Ainda de acordo com a fala apresentada pelo atual advogado-geral da União, para que um impeachment de um presidente ocorra, é preciso que haja “provas cabais” do cometimento de grave irregularidade, ou seja, trata-se de uma “condição excepcionalíssima”, o que, segundo ele, não ocorre no atual processo em tramitação na Câmara.

Por fim, José Eduardo Cardozo rebateu as críticas da oposição de que o governo estava tentando defender a ideia de que impeachment é golpe. Segundo o ex-ministro de Dilma, se a Constituição for “rasgada”; se não houver uma “base fática” para o afastamento da presidente; se houver a negação do Estado de Direito, então, afirma Cardozo, “é golpe”.

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Cientista Político avalia defesa feita por Cardozo

Para o cientista político Jorge Gomes, a fala apresentada pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, tem fundamento jurídico, no entanto, o jogo político no Brasil é o que está em voga atualmente.

“A oposição está se lixando para a Constituição, essa é que é a verdade. A fala de José Eduardo Cardozo foi precisa e contundente. Ele ‘jogou as cartas na mesa’ e disse, de forma implícita, ‘vocês não têm provas para derrubar a presidente’. Foi uma fala totalmente respaldada em fundamentos jurídicos. Cardozo demostrou domínio não apenas de uma leitura correta da Constituição Federal, promulgada em 1988, mas também o conhecimento invejável sobre os sistemas políticos presidencialistas e parlamentaristas.”, afirma Gomes.

“No entanto, o que impera hoje no Brasil é o jogo político, ou seja, a tentativa cega e gananciosa de estar no poder. E esse jogo passa por cima de qualquer regra, qualquer ordem. Para a oposição, se para derrubar Dilma for preciso derrubar também a Constituição, ou burlá-la para parecer que tudo foi feito dentro da legalidade, isso será feito.

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Não estou defendendo ninguém, mas, de fato, ainda não existe prova concreta para afastar a presidente. Se esta prova for apresentada para a opinião pública, serei o primeiro a pedir a saída de Dilma Rousseff.”, conclui o cientista político. #Crise no Brasil