O processo de redemocratização do estado brasileiro, que levou ao fim os sombrios anos da ditadura militar, trouxe, inegavelmente, estabilidade política, participação popular e descentralização do poder. Em contrapartida, os chefes do executivo precisariam demonstrar alinhamento com as normas vigentes e compromisso com a gestão. A partir da Constituição promulgada em 1989, ninguém mais estaria acima das leis. Muito menos os presidentes da República.

O processo de #Impeachment, previsto para o mandatário que incorrer do crime de responsabilidade, não é novidade na ainda jovem democracia brasileira. Em 1992, açoitado por desvios de conduta e casos de corrupção expostos pela mídia, Fernando Collor de Mello não conseguiu escapar do escuro corredor que, hoje, #Dilma Rousseff já tem um dos seus pés.

Publicidade
Publicidade

Impedido, Collor deixou a presidência e ficou inelegível por oito anos. Dilma promete lutar até o fim. Mas os processos não foram iguais. Confira:

Família

É bem verdade que os familiares sanguíneos de Dilma pouco se pronunciam ou ganham destaque na mídia, mas, por outro lado, o seu principal padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, por diversas vezes, reforçou sua confiança e sua certeza pela lisura do seu caráter. Rui Falcão, presidente do PT, também ressalta o compromisso ético e a conduta ilibada da presidente.

Collor, por sua vez, foi apunhalado pelas costas pelo seu próprio irmão. Em entrevista bombástica à revista Veja, na edição de 13 de maio de 1992, Pedro Collor acusa Paulo César Farias, PC Farias – morto quatro anos depois –, de articular um grave esquema de corrupção que envolvia propina dentro do governo, cargos e tráfico de influência.

Publicidade

PC foi o tesoureiro da campanha de Collor.

A partir de então, a imprensa se debruçou sobre o caso e o Congresso instaurou uma CPI para investigar as denúncias. O relatório final solicitou o impeachment de Collor.

Natureza do processo

Pesa, contra Dilma, questões contábeis na sua denúncia. De acordo com o pedido de impeachment em curso, a presidente cometeu as ditas “pedaladas fiscais” - atraso no pagamento a bancos públicos -, e emitiu decretos de suplementação fiscal sem a apreciação do Congresso no exercício do mandato de 2015.

Já no caso de Collor, a raiz do processo indicava uma série de desvios de conduta pessoal, não meramente governamental, tais como as denúncias de lavagem de dinheiro, uso proibido de verbas de campanha para fins pessoais e loteamento de cargos. O processo foi derivado de meses de investigação parlamentar, com forte acompanhamento da imprensa e expressivo apoio das ruas, com os inesquecíveis “Caras Pintadas”.

Classe artística

Embora tanto Collor quanto Dilma não gozassem de grande popularidade, o ex-presidente tinha um agravante contra si que decorria do fato de que a maioria da classe artística era favorável ao seu impeachment.

Publicidade

Dilma ainda obtém importante apoio dessa classe com nomes importantes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Wagner Moura. Alguns artistas que são favoráveis ao impeachment da presidente e contrabalançam a disputa são Roger, Lobão, Danilo Gentili e Marcelo Serrado.

Relação com o Congresso

Na Câmara, tanto Collor quanto Dilma perderam, mas a derrota de Collor era compreensível, Dilma, por sua vez, teve a possibilidade de negociar. O Caçador de Marajás governou sempre com pouco apoio no Congresso, que se rebelou contra o presidente no estopim do caso. Dos líderes, apenas Brizola e Antônio Carlos Magalhães o apoiaram. A derrota foi dolorosa: 440 votos a favor e 38 contra. Dilma, mesmo com a segunda maior bancada, viu partidos desembarcarem do governo às vésperas da votação e também perdeu de forma expressiva: 367 votos a favor e 137 contra.

Fator Lula

O grande padrinho político de Dilma Rousseff demonstra que ainda está em plena atividade política e segue com capacidade de agrupar forças. Lula, o grande líder petista, ainda briga no STF para se tornar ministro e poder ajudar Dilma. Collor, lá atrás, estava completamente órfão e isolado.