A carreira de Eduardo Cunha é longa. O atual presidente da Câmara foi nomeado, em 1991, como presidente da Telerj pelo então presidente Fernando Collor. Já, em 1992, foi acusado de superfaturamento no órgão do Rio de Janeiro, além de ter contratado funcionários sem concurso.  Em 1993, Cunha foi acusado de participação no esquema PC Farias, que resultou no #Impeachment de Collor. Em 1999, foi demitido da Companhia Estadual de Habitação à época do governo Garotinho, devido a fraudes em licitações.

Em 2001, foi investigado pela Receita Federal por fazer movimentações financeiras incompatíveis com sua renda declarada. Em 2007, Eduardo Cunha esteve ligado ao esquema de Furnas, com o grupo Gallway, sediado em paraíso fiscal.

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Em agosto de 2015, foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. Desde então, foi citado outras vezes durante as investigações da operação Lava Jato e teve contas secretas milionárias descobertas na Suíça (com processo criminal enviado pelo próprio Ministério Público suíço).

A área técnica da Comissão de Valores Mobiliários, órgão responsável pela fiscalização do mercado financeiro, apontou em relatório sigiloso, também em 2015, que o parlamentar teria obtido um "lucro indevido" de 900 mil reais por operações realizadas entre 2003 e 2006, com fundos de investimento movimentados pela Prece, fundo de pensão dos funcionários da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) do Rio de Janeiro.

Finalmente, em março de 2016, o STF aceitou a denúncia de Rodrigo Janot, por unanimidade, contra Cunha, que se tornou réu sob a acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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Também em 2016, a delação premiada do senador Delcídio do Amaral foi homologada pelo STF, na qual foram citados diversos políticos, dentre eles o próprio Cunha, acusado de envolvimento para favorecer o banco BTG Pactual em medidas provisórias que possibilitariam o uso de ativos para liquidar dívidas.

Atualmente, o único processo pelo qual ele responde é o do Conselho de Ética da Casa, por ter mentido à CPI da Petrobrás ao afirmar que não tinha conta em paraísos fiscais.

Mesmo para quem não entende muito de política, está claro que o manto da impunidade há tempos paira sobre Eduardo Cunha. Depois de negar que daria início ao processo de impedimento da presidente, mudou de ideia diante da recusa de Dilma de negociar sua manutenção na presidência da Câmara, usando seu poder de lançar a votação como chantagem. Com o impeachment, estaremos diante da institucionalização da impunidade de Cunha por meio de uma possível anistia articulada por seus apoiadores.

Segundo a página Congresso em Foco, o desejo de premiar o presidente da Câmara é claro: “Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado”, defende Osmar Serraglio (PMDB-PR). “Outro deputado qualquer não teria resistido às pressões do Palácio do Planalto. Vamos salvá-lo”, explica o deputado Dirceu Sperafico (PP-PR).   #Crise-de-governo