Um dia após a votação na Câmara dos Deputados, que aprovou o pedido de #Impeachment contra a presidente da República #Dilma Rousseff (PT), a mesma convocou à imprensa e realizou uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto (Brasília). Em seu pronunciamento, Dilma criticou, de forma veemente, a postura do vice-presidente da República Michel Temer (PMDB), e voltou a acusa-lo de “traidor” e de “tramar contra a democracia”, reafirmando que o atual processo de impeachment não passa de uma tentativa de “golpe” por parte da oposição.

Dando continuidade a sua fala, a presidente Dilma Rousseff afirmou se sentir “indignada e injustiçada” com a aprovação do pedido de impeachment no plenário da Câmara, ocorrida neste domingo, 17 de abril, quando 367 deputados votaram a favor (25 votos a mais do que era necessário para a aprovação – 342 votos) do seguimento do processo, que agora parte para análise do Senado.

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Dilma também disse que “pedaladas fiscais” não legitima o impeachment, e que outros presidentes do país também fizeram as tais práticas antes dela, e que isto não configura “crime de responsabilidade”.

A presidente Dilma Rousseff concluiu a entrevista coletiva nesta segunda-feira, 18 de abril, afirmando que estava de consciência tranquila e que nunca fez qualquer ato ilegal em seu governo ou alguma trama para enriquecimento próprio. Disse também que a Constituição Federal, promulgada em 1988 após duas décadas de ditadura militar no país, da qual Dilma foi perseguida e barbaramente torturada, estava sendo “rasgada e desrespeitada” pelos parlamentares na Câmara dos Deputados. Mesmo aparentando profunda decepção com a derrota na votação do domingo, a presidente da República garantiu que não vai desistir da presidência e que “a luta só começou”.

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“Derrota já era esperada, o que não significa que foi o certo”, diz cientista político

Para Jorge Gomes, cientista político que acompanha diariamente a crise política no Brasil, a derrota de Dilma Rousseff na Câmara já era esperada.

“A derrota já era esperada, o que não significa que foi o certo. Não dá para crucificar Dilma quando se sabe que quem está por trás desse impeachment é gente da estirpe de Eduardo Cunha e Bolsonaro. A presidente errou sim, mas errou, sobretudo, quando aceitou os jogos políticos do seu partido, que ‘se misturou com os porcos’ e agora está ‘comendo os farelos’. O PT está ‘colhendo o que plantou’, e quem está ‘pagando o pato’ é a Dilma, que, até se prove o contrário, não cometeu nenhum crime de responsabilidade para ser expulsa do seu cargo.”, afirma Gomes.

“Tudo o que está acontecendo não passa de uma articulação política da oposição, ou seja, não atende aos interesses do povo. Trata-se de uma gananciosa e baixa disputa política, que não representa os eleitores.

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Se Dilma tem que sair, deixe então que o povo decida isso nas urnas, em uma nova votação; isto seria o certo. O que aconteceu no domingo foi pura tramoia política; um entretenimento barato para mídia golpista transmitir na TV.”, conclui o especialista. #Crise-de-governo