Antes e após a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, na #Câmara dos Deputados, nesse último domingo, 17, havia alguns comentários sobre os parlamentares que estavam analisando o processo, sendo que eles também já haviam enfrentado inquéritos na justiça, na qualidade de réus. A questão é que esse ‘problema’ de um político ‘sujo’ julgar a possível sujeira de outros, ganha propulsão pelo fato de que a larga maioria dos parlamentares não foi eleita pela escolha dos votos da maioria do povo, em grande parte dos estados brasileiros.

Enquanto na comissão do impeachment da presidente Dilma haviam 35 deputados com pendências criminais e cíveis na justiça, (a metade da comissão, já que ela foi formada por 65 deputados), 477 dos políticos que exercem o cargo de Deputado Federal não foram eleitos pela maioria dos votos diretos do povo para eles, mas sim, por causa de legendas.

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Apenas 36 deputados, dos 513 que existem na Câmara, ‘caminharam com as próprias pernas’ e não foram ‘puxados’ por votos de terceiros. Desses trinta e seis parlamentares, 11 têm parentes políticos com nomes tradicionais na política e, provavelmente, deram um ‘empurrãozinho’ com as suas influências para a conquista de votos.

Esses números foram calculados através da Secretaria Geral da Mesa da Câmara no ano de 2014. Muitos candidatos a deputado tiveram votações expressivas, no entanto, não entraram. É o caso de Antonio Carlos Mendes (PSDB) que teve 106,6 mil votos em São Paulo e não se reelegeu, já Fausto Pinato (PRB), que teve ‘apenas’ 22 mil votos, entrou, graças a Celso Russomano, do mesmo partido, que teve 1,52 milhão de votos e o ‘puxou’.

Deputados foram 'puxados' mas não foram eleitos pelo voto da maioria

A exemplo de Russomano, que ‘puxou’ candidatos com votação inexpressiva, há outros muitos por todo o país e isso fica claro: a massiva maioria dos nossos deputados não foram eleitos através da escolha da maioria do povo.

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Por exemplo, no Distrito Federal há oito vagas para deputados sendo que existem 1,45 milhões de pessoas aptas para votar. Para que um candidato consiga se eleger por conta própria, é necessário que ele consiga em torno de 181,7 mil votos no DF. Detalhe: nenhum deputado que exerce o cargo hoje conseguiu chegar a esse quociente na eleição de 2014.

Esse exemplo é visto também nos estados do Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso, Maranhão, Alagoas, Acre, Roraima, Rio Grande Do sul, Tocantins, Piaui e Rio Grande do Norte.

Dos 36 deputados que conseguiram se eleger com ‘as próprias pernas’, cinco são de São Paulo, cinco do Rio de Janeiro, cinco de Minas Gerais, quatro de Pernambuco, três no Ceará e na Paraíba, dois em Santa Catarina e Goiás, e, apenas um nesses estados: Mato Grosso do Sul, Pará, Bahia, Amazônas, Sergipe e Paraná. #Dentro da política #Crise-de-governo