O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, preso em Curitiba, na sede da Polícia Federal do Paraná, prestou seu primeiro depoimento ao juiz Sérgio Moro, após ter firmado um acordo de colaboração premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Já na primeira vez, sob delação, frente a frente com o juiz Sérgio Moro,  Cerveró envolveu diretamente o ex-presidente da República Luiz Inácio #Lula da Silva.

Depoimento explosivo

Nestor Cerveró afirmou, nesta segunda-feira (19), que o ex-presidente Lula lhe forneceu todo apoio político, após ele (Cerveró) ter quitado uma dívida milionária do PT. O ex-presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, lhe ordenou que "resolvesse os problemas do PT", disse o ex-diretor, repetindo as palavras do próprio presidente da estatal.

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Basta ressaltar que os problemas referidos ao Partido dos Trabalhadores, seria a quitação de uma dívida no valor de 50 milhões de reais, em razão dos gastos decorrentes de eleições.

O envolvimento de Lula se dá, principalmente, quando ocorre a necessidade da aprovação da CPMF na Câmara dos Deputados durante aquele período de 2006, quando o ex-presidente Lula resolveu apoiar a nomeação de Cerveró para o cargo de Diretor Internacional da Petrobras, ocasionando que o ex-mandatário do país tenha sido, até mesmo, explícito, segundo o delator, ao reproduzir as palavras do ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, repetindo as palavras de Lula:" O Nestor não pode ficar no sereno", em alusão à dívida paga do PT, a partir de repasses ilícitos provenientes dos cofres da Petrobras. A vontade de Lula era de que Cerveró fosse abrigado na BR Distribuidora, uma subsidiária da estatal.

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Lula teria sido categórico, de acordo com o delator: "Se o Nestor topar, o cargo é dele", afirmou enfaticamente.

Nestor Cerveró, em um momento emocionado, pediu desculpas à sociedade brasileira por ter participado de um esquema de distribuição de propinas, a partir de dinheiro público desviado da Petrobras e citou a participação de seu filho, Bernardo, que foi responsável pela gravação que incriminou o senador Delcídio do Amaral, em alusão a um plano de fuga para o ex-dirigente, com o propósito de que ele não fechasse um acordo de delação premiada. Mais tarde, porém, o próprio senador Delcídio, após estar preso, firmou um acordo de colaboração com a força-tarefa da Lava Jato, sob tutela da Polícia Federal e do Ministério Público. #Governo #Corrupção