O ex-ministro da Educação do #Governo de Dilma Rousseff (PT), e também ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), protocolou nesta sexta-feira, 1º de abril, na Câmara dos Deputados em Brasília, um pedido de impeachment contra o vice-presidente da República #Michel Temer (também presidente nacional do PMDB).

Segundo palavras do próprio Cid Gomes, divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo, o mesmo decidiu protocolar o pedido contra Temer por estar “apavorado” devido à velocidade como o processo de #Impeachment contra a presidenta Dilma está sendo feito na Câmara, sobretudo, devido às manobras lideradas pelo presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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De acordo com publicação da Folha, Gomes apresentou na Câmara uma denúncia na qual lista, ao menos, seis crimes de responsabilidade diretamente contra o vice-presidente Michel Temer (ao todo, o documento apresentado pelo ex-ministro nesta sexta-feira contém 16 páginas, além dos anexos).

Apesar de denunciar Temer, em nenhum momento da sua acusação, apresentada aos deputados federais, Cid Gomes aborda o tema das “pedaladas fiscais”, que seria o suposto crime de responsabilidade no qual a oposição está se baseando com todo empenho para tentar derrubar a presidenta da República Dilma Rousseff.

Ainda segundo o ex-ministro da Educação Cid Gomes, o documento enumera uma série de depoimentos, delações, citações retiradas de documentos e de aparelhos telefônicos (celulares) de vários nomes investigados pela operação “Lava Jato” e que fazem referência clara, explícita e direta a Michel Temer.

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Gomes exigiu um esclarecimento imediato, tanto do acusado, como também do seu partido, o PMDB.

Dentre as falas recolhidas por Cid Gomes para a elaboração da sua acusação, está uma troca de mensagens entre José Adelmário Pinheiro, proprietário da empreiteira OAS (uma das muitas investigadas pela “Lava Jato”), e Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, na qual ambos falam sobre a quantia de cinco milhões de reais, que, segundo a fala de Cunha, “não deveriam ser pagos apenas para Temer”.

Uma reportagem da Folha de São Paulo sobre o caso foi anexada ao documento apresentado ontem por Cid Gomes. O mesmo reivindica a abertura imediata das investigações contra Michel Temer

Governo x Temer

Para o sociólogo e especialista em política Jaime Pondé, a ação de Cid Gomes está articulada com o Governo, mas isso não tira a legitimidade da acusação do ex-ministro.

“Trata-se sim de uma resposta do Governo diante da debandada do PMDB ocorrida nesta semana, mas isso não tira a legitimidade da acusação feita pelo ex-ministro da Educação, Cid Gomes.

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Todos sabem também que já aconteceu um conflito, inclusive judicial, entre Cid e Temer, o que poderia dar a entender que esta acusação seria mais uma extensão desse conflito. Todavia, a partir do momento em que o nome de Michel Temer apareceu nas falas citadas, o mesmo foi colocado no ‘bolo’ e deve sim ser investigado. Se ele não tem nada haver com isso, que prove.”, afirma Pondé.

No final da sua explanação sobre o caso realizada na Câmara dos Deputados, Cid Gomes solicitou que o seu documento acusativo fosse analisado pelo vice-presidente da casa, Waldir Maranhão (PP-MA), devido o atual presidente Eduardo Cunha está envolvido nas acusações. No entanto, especialistas supõem que Maranhão seja ligado a Cunha, o que poderia, de alguma forma, barrar a tramitação do documento na pasta.