Pegou muito mal entre a classe política e a opinião pública as declarações do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a votação do impeachment na Câmara no último domingo, dia 17. Antes de dar o seu voto “sim” para a admissibilidade do processo, o polêmico parlamentar dedicou suas palavras ao ex-coronel da Ditadura Militar, Carlos Alberto Brilhante Ustra, a quem chamou de “o pavor de Dilma Rousseff”.

O ex-presidente da República entre os anos de 1995 e 2002, e um dos grandes líderes do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, usou a sua página no Facebook para repudiar fortemente a postura de Bolsonaro. Segundo FHC, as homenagens ao coronel Brilhante Ustra representam uma “ofensa aos cidadãos do país”.

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O antigo presidente ainda pediu que o seu partido, o PSDB, repudie oficialmente as declarações.

“O PSDB necessita repudiar de forma direta todas essas declarações, já que elas representam uma afronta aos cidadãos brasileiros, em especial àqueles que foram vitimados pelo processo de tortura durante o regime militar”, escreveu FHC.

Brilhante Ustra foi o único militar reconhecido oficialmente pela Justiça como torturador. Ele comandou o Doi-Codi, rígido departamento de defesa subordinado ao Exército em São Paulo, durante os anos de 1970 e 1974 – um dos períodos mais efetivos do regime militar. Nessa mesma época, a atual presidente brasileira Dilma Rousseff esteve presa na capital paulista.

Montado por uma comissão ligada aos mortos e desaparecidos na época do regime, o Dossiê Ditadura apontou Ustra como responsável por no mínimo 60 casos de desaparecimentos e mortes em São Paulo.

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Em agosto de 2015, o antigo coronel foi denunciado pelo Ministério Público em decorrência do falecimento do comunista Carlos Danielli, vítima de tortura do órgão repressor comandado por Ustra em 1972. No entanto, em outubro de 2015, o ex-coronel veio a falecer em Brasília por conta de complicações oriundas de um câncer na próstata.

“Tantos anos depois de ser promulgada a Constituição Federal de 1988, é completamente inadmissível que ainda exista alguém capaz de defender e elogiar um reconhecido torturador”, acrescentou FHC.

No texto, o ex-presidente ainda disse que espera que o processo de #Impeachment de Dilma Rousseff tramite “sem delongas” dentro do Senado Federal, e que quando chegar a hora da votação não haja falas “estapafúrdicas”, como foi testemunhado na Câmara dos Deputados. Votos “por Deus”, “pela família”, “pelo meu neto”, etc, usados como argumento dos parlamentares na hora de dar o seu posicionamento, foram muito criticados pela opinião pública.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se manifestou oficialmente contra as palavras de Jair Bolsonaro.

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Claudio Lamachia, presidente da Ordem, disse que é inaceitável que “figuras públicas usem da imunidade parlamentar para se manifestar de forma violenta à democracia e aos Direitos Humanos”. No mesmo passo, a OAB do Rio de Janeiro planeja interceder junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o mandato de Bolsonaro como deputado. #Congresso Nacional