Enquanto acontecem os procedimentos legais para uma decisão sobre o impeachment da presidente Dilma, a Operação Lava Jato continua ativa. Novas revelações, obtidas através da delação premiada de executivos da empreiteira Andrade Gutierrez, podem levar à prisão de dois ex-ministros da Casa Civil, Antonio Palocci e Erenice Guerra. A acusação é de que ambos teriam participado do esquema de propina na obra da usina hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará.

Propina envolve PT e PMDB

A denúncia é de que o pagamento de propina foi para o PT e para o PMDB, além de agentes públicos ligados aos dois partidos. Segundo os depoimentos, o valor teria sido o equivalente a 1% dos contratos, o que somaria 150 milhões de reais, que teriam sido divididos entre os dois.

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Os mesmos empresários afirmaram que o dinheiro doado legalmente para as campanhas de Dilma (2010 e 2014), era proveniente de contratos superfaturados com empresas como a Petrobras e outras estatais.

Palocci, que foi o coordenador da campanha de Dilma de 2010, seria o articulador do esquema. Já Erenice, também citada, substituiu Dilma na Casa Civil, quando esta se candidatou à presidência.

Delação da Andrade Gutierrez pode influenciar a votação na Câmara

Em um discurso proferido na última quinta-feira (7), a presidente tentou evitar ser atingida pelas delações, falando em "vazamentos oportunistas e seletivos" que, segundo ela, viriam à tona na semana da votação do #Impeachment. Como precaução, o ministro da Comunicação Social Edinho Silva apelou junto ao Judiciário e ao Ministério Público Federal, para que as investigações não fossem divulgadas nesta semana.

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Para Dilma, isto criaria um "ambiente propício ao golpe".

A #Lava Jato e a crise política

Nesta sexta-feira (8), o juiz Sergio Moro, que participava de um evento em Chicago, EUA, concordou que as investigações da Lava Jato propiciam a instabilidade política, porém, defendendo o combate à #Corrupção, afirmou que não se pode esconder os fatos "embaixo do tapete". Ele defendeu também as instituições democráticas e a justiça. Sobre a crise econômica e a recessão, disse que "um país onde a corrupção é a regra do jogo" não atrai investidores estrangeiros.

Mesmo admitindo a relação da Lava Jato com a atual crise brasileira, Moro afirmou que não vê outra opção que não seja continuar combatendo a corrupção.