Após a aprovação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, #Dilma Rousseff se pronunciou em duas ocasiões. Na segunda-feira (18), insistiu em dizer que se sente indignada e injustiçada. Em entrevista coletiva concedida a jornalistas estrangeiros na terça-feira (19), repetiu que o processo de impeachment do qual está sendo "vítima" é uma injustiça.

Mais emocionada no primeiro dia, porém contida, Dilma tentou mostrar que continua lutando por seu mandato e que tem planos para o futuro de seu governo: "acho que nós teremos um outro governo, no sentido de que vamos construir um novo caminho". Ao mesmo tempo que afirmou não se tratar de cargos ou trocar ministérios, declarou que aqueles que votaram pelo impeachment estão demitidos.

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Em diversos momentos a presidente mencionou a ditadura e exaltou a democracia. Culpou a oposição pela instabilidade política e, como já havia dito em discursos anteriores, se disse vítima da estratégia "do quanto pior, melhor".

Perguntada sobre sua relação com o ex-presidente Lula, afirmou que são "companheiros especiais" e que nos últimos 6 ou 7 anos trabalharam juntos "diuturnamente". Dilma disse também ter esperança de que o STF aprove a nomeação de Lula e que ele possa assumir a Casa Civil ainda nesta semana.

Atacando o presidente da Câmara Eduardo Cunha, sem citar seu nome, mencionou as acusações de enriquecimento ilícito, desvio de dinheiro e as contas no exterior.

Na entrevista com jornalistas estrangeiros, disse não ser responsável pela crise econômica. Atribuiu a culpa à crise que "se espalhou pelo mundo" depois do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos em 2008.

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Sobre o vice-presidente Michel Temer foi direta, acusando-o de conspirar contra ela para ocupar seu lugar, o que, em suas palavras, não conseguiria pelo voto.

A presidente reiterou que é vítima de um processo que se baseia em "flagrante injustiça", "numa fraude jurídica e política" e voltou a chamar o processo de golpe.

Desta vez, Dilma culpou Eduardo Cunha pela instabilidade política de seu governo, enfatizando que "práticas absolutamente condenáveis ganharam força" depois que o parlamentar assumiu a presidência da Câmara e que este teria aceitado o pedido de impeachment por "explícita vingança".

Em ambas as ocasiões, Dilma apenas repetiu o que já havia dito. Usando as palavras "injustiça" e "vítima" inúmeras vezes, se defendeu da acusação de crime de responsabilidade fiscal, alegando que o mesmo foi praticado por outros presidentes.

Agora nas mãos do senado, começa a nova etapa do processo de impeachment de Dilma, ainda sem data para votação.