De um lado temos um deputado com uma série de pensamentos polêmicos, considerado por muitos como intolerante, fascista, machista, homofóbico e, mais recentemente, apoiador de torturador na época da ditadura militar. Mesmo recusando todos esses adjetivos, Jair Bolsonaro está conseguindo o que queria desde o início: ser cada vez mais conhecido e popular numa camada da sociedade que é adepta ao estilo "olho por olho, dente por dente", que acredita que bandido bom é bandido morto, e que a moral fundamentada pela #Religião cristã é a autoridade máxima para guiar a vida das pessoas.

Do outro lado temos o PSC (Partido Social Cristão), formado principalmente por políticos da bancada evangélica da Câmara dos Deputados, autodenominados "seguidores de Jesus Cristo, o Messias".

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Diante do tratamento VIP concedido por jovens em aeroportos e por ser venerado como um semideus nas redes sociais, o partido viu em Bolsonaro uma oportunidade para subir rápido ao topo da política nacional - a Presidência da República.

A proposta

O PSC prometeu a Bolsonaro que, se ele conseguir atingir 10% das intenções de voto para as eleições presidenciais de 2018, o apresentará como candidato do partido para o mais alto cargo do poder executivo do país, no lugar do Pastor Everaldo, que concorreu nas eleições de 2014. Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 11 de abril, o deputado já aparecia com 8% das intenções de voto. De olho na oportunidade, Bolsonaro não perdeu tempo: saiu do Partido Progressista (PP) e migrou para o partido cristão.

Contradição

Todos sabemos que a Bíblia defende uma sociedade justa, de paz e amor entre os irmãos, além de ser contra a vingança.

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Em Mateus 5:38, 39, Jesus Cristo chegou a dizer: "Ouviste o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra".

"A ninguém devolvei mal por mal. Procurai proceder corretamente diante de todas as pessoas", diz Romanos 12:17. Para o político Bolsonaro, no entanto, esses versículos são inválidos. Para ele, "violência se combate com violência". Veja no vídeo abaixo:

Todo mundo sabe que a Bíblia condena a violência e o assassinato. "Não matarás" é um dos dez mandamentos. Por isso, um grupo religioso muito conhecido em todo o mundo, com mais de 7 milhões de adeptos, prefere não pegar em armas e se nega a servir ao exército militar. Eles dizem cumprir o mandamento de Jesus de "sermos pacíficos".

Jesus também pregou o perdão. Enquanto estava sendo posto numa estaca [ou cruz], ele perdoou um ladrão. Disse ainda que aquele que pecar merece ser perdoado até "setenta vezes sete" (Mateus 18:21-22).

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Em contraste, Bolsonaro defende a pena de morte. Errou, não tem outra chance, precisa morrer.

PSC está com sede de poder?

Mas, como pode o PSC, um partido que "segue os princípios cristãos" e foi fundado para ser um "representante de Cristo no governo dos homens", permitir que uma pessoa como Bolsonaro esteja entre os seus filiados? Seria uma tolerância do partido com quem tem pensamentos diferentes, ou apenas estratégia para chegar ao poder? Fizemos essas perguntas para a sua assessoria de imprensa.

Por meio de nota, o Partido Social Cristão disse que "assim como Jesus nos ensinou, o PSC não segrega, exclui ou discrimina ninguém por nenhum motivo". Sobre as declarações de Jair Bolsonaro, o partido disse não concordar com as mesmas, mas que os seus membros "são livres para para defenderem o que acreditam".

Mesmo diante de tanta liberdade de pensamento dentro do partido evangélico, a assessoria do PSC disse que "a Executiva Nacional está conversando com o deputado sobre o assunto". A ideia é evitar que ele volte a fazer declarações que possam comprometer sua credibilidade e respeito a pessoa humana.

A próxima estratégia já está traçada. Bolsonaro quer desvincular a imagem de homofóbico da sua pessoa. Para isso, esteve em conversas com Karol Eller, lésbica assumida, e que passou a produzir vídeos em defesa do deputado. #Dentro da política #Crise-de-governo