Nesta terça-feira (12) foi deflagrada mais uma fase da Operação Lava Jato, denominada "Vitória de Pirro". A investigação desta vez é sobre o pagamento de propinas para evitar que empreiteiros fossem convocados a depor na CPI da Petrobras. Vice-presidente da CPI que funcionou em 2014, o ex-senador Gim Argello (PTB/DF) foi citado nos depoimentos do senador Delcídio do Amaral (sem partido) e de Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia.

A Polícia Federal cumpre 22 mandados judiciais em quatro cidades: Rio de Janeiro, Brasília, Taguatinga e São Paulo.

Mais de R$ 5 milhões em propina

Segundo as investigações do Ministério Público Federal (MPF), Argello teria pedido 5 milhões de reais para a UTC e 350 mil para a OAS.

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O objetivo das propinas era blindar os empresários, evitando que fossem convocados pela CPI da Petrobras.

Disfarçadas de doações eleitorais, as cobranças foram confirmadas também pelo lobista Julio Camargo, que confessou ter intermediado as negociações com a empresa Toyo Setal, para a qual era prestador de serviços. Segundo Camargo, os diretores aprovaram a transação.

O procurador da República Athayde Ribeiro da Costa, disse que um dos destinos do dinheiro teria sido a conta corrente da Paróquia de São Pedro de Taguatinga, indicada por Argello para receber parte da propina. A investigação descobriu que Argello era frequentador desta igreja na época. Nesta conta foram depositados R$ 350 mil.

A intimidade de Argello com o poder

Famoso por ter relacionamento com todas as lideranças partidárias, o ex-senador era também amigo da presidente Dilma Rousseff desde o tempo em que ela era ministra da Casa Civil, durante o governo Lula.

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Hábil em conquistar amizades, Argello tornou-se vizinho de Dilma e armava encontros "casuais" com a então ministra. Várias vezes foi visto acompanhando Dilma em suas caminhadas. Argello apoiou a campanha de Dilma em 2010 e, em 2013, foi citado pela presidente em discurso de agradecimento sobre a lei que concedeu a licença de táxis à família do motorista. Deixou de ser aliado do PT em 2014, quando não teve apoio do partido para sua reeleição.

Gim Argello foi suplente de Joaquim Roriz ((PRTB) em 2007 e assumiu o cargo de senador quando da renúncia do titular. Com o auxílio de Renan Calheiros, foi líder do PTB. Em 2014, foi indicado para ministro do Tribunal de Contas da União, graças a sua intimidade com a cúpula do Senado. Seu nome foi descartado, porém, por ser alvo de vários processos.

Também foi relator da Comissão de Orçamento do Congresso e renunciou ao cargo, depois da denúncia de que levava dinheiro de emenda parlamentar para entidades fantasmas.

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