Nesta terça-feira (5), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello determinou que Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, aceite o pedido de #Impeachment contra o vice-presidente da República #Michel Temer. A ordem é para que seja instalada a comissão especial para análise do processo. Apesar de a decisão já estar em vigor, Cunha pode optar por recurso e levar a discussão para o STF.

O pedido é do advogado Mariel Marley Marra, que acusa Temer de ter cometido crime de responsabilidade e atentado contra a lei orçamentária, quando assinou quatro decretos autorizando a abertura de crédito suplementar sem autorização do Congresso.

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Na ocasião, Temer era presidente interino.

Neste mesmo dia, Michel Temer anunciou que não é mais presidente de seu partido, o PMDB, deixando o cargo para o senador Romero Jucá. Há uma semana, o PMDB desembarcou do governo e seus integrantes deveriam deixar todos os cargos. A despeito desta decisão, o vice-presidente permaneceu. Também seis ministros permanecem em seus cargos, entre eles Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia, Marcelo Castro, da Saúde, e Kátia Abreu, da Agricultura.

O interesse de Cunha

Réu na Operação Lava Jato, acusado possuir contas não declaradas em paraísos fiscais, Cunha assumiria o governo interinamente em caso de impedimento de Dilma e Temer. Citado por José Eduardo Cardozo na defesa da presidente, acusado de ter aceito o pedido de impeachment contra ela por vingança, é evidente o interesse do deputado nos dois casos.

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Após a apresentação da defesa de Dilma na segunda-feira (4), Cunha disse aos jornalistas: "eu não vou ficar aqui batendo boca, quem tem que defender o governo é ele", referindo-se ao ministro Cardozo da Advocacia-Geral da União.

Enquanto isso, Lula age nos bastidores

Impedido de assumir o cargo de ministro da Casa Civil e correndo o risco de ser denunciado por crime de desobediência, usurpação de função pública e tráfico de influência, Lula continua em Brasília agindo nos bastidores do governo. Não Dilma, mas Lula, negocia cargos deixados por peemedebistas, em troca de votos a favor da presidente. Apesar da aparente defesa de Dilma, Lula vai além e, mirando no futuro, se encontrou com Temer no último domingo a fim de iniciar novas negociações. E se Temer também cair?