Parece que as preocupações da presidente #Dilma Rousseff vão muito além do processo de impeachment aprovado pela Câmara. Agora, ela pode ser alvo de inquérito pelas circunstâncias que envolvem a nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o STJ – Superior Tribunal de Justiça. Conforme delação de Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral, homologada na última quinta-feira (14), pelo ministro Teori Zavaski, do STF, o governo nomeou Navarro na esperança de ter o alinhamento dele com o governo nos assuntos ligados à operação #Lava Jato. O objetivo da nomeação seria a de obter do novo ministro o compromisso de libertar determinados réus, principalmente, Marcelo Odebrecht.

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Ferreira declarou aos procuradores que agendou encontros entre Navarro e Delcídio, e que em diversas ocasiões ouviu que a estratégia era nomeá-lo para o STJ, com o objetivo de interferir na Lava Jato, principalmente, no que se referia à condição de Marcelo Odebrecht. O chefe de gabinete de Delcídio disse ainda que Navarro fez três visitas ao senador e que nenhum dos outros dois candidatos da lista tríplice de candidatos à vaga no STJ esteve com Delcídio, demonstrando um tratamento “especial” a Navarro.

Como prova dos contatos entre Delcídio e Navarro, o ex-chefe de gabinete do senador apresentou mensagens trocadas entre ele e o desembargador pelo aplicativo WhatsApp.

Cardozo e Dilma

Segundo Diogo Ferreira, Delcídio revelou a ele, em encontro no hotel Goldem Tulip, ter tido uma reunião particular com a presidente Dilma Rousseff e que, na ocasião, a presidente o alertara para obter de Navarro o compromisso de alinhamento com o governo para libertar determinados réus da Operação Lava Jato.

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Ainda, segundo Ferreira, a presidente teria falado expressamente do caso de Marcelo Odebrecht.

Além disso, o ex-chefe de gabinete disse que Delcídio teve uma reunião com o atual advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça, e que depois do encontro Delcídio teria dito que ele e Cardozo precisavam estar atentos para a importância da nomeação para o STJ, pois isso envolvia a relatoria dos habeas corpus da Lava Jato.

Com a delação homologada pelo STF, os fatos narrados podem reforçar os pedidos de investigação, hipótese que está sendo avaliada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Essa investigação poderá, dependendo da sua evolução, ter Dilma como um dos alvos.

Delatados negam

Como costuma acontecer nessa série de delações da Lava Jato, os envolvidos negam qualquer participação nos eventos mencionados. Navarro afirmou nunca ter tido contato com Delcídio. Por sua vez, Cardozo garantiu que ele e a presidente Dilma nunca agiram para interferir nas investigações. #Crise-de-governo